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Crônico, lúpus precisa de tratamento individualizado para evitar complicações

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica na qual o sistema imunológico ataca erroneamente tecidos saudáveis do corpo, levando à inflamação e danos em vários órgãos e sistemas.

Embora muitas pessoas com a doença tenham uma forma leve, podendo manter uma vida normal com tratamento adequado, em alguns casos, o lúpus pode ser grave e até mesmo fatal.

Complicações graves do lúpus podem afetar órgãos vitais como os rins, coração, pulmões, cérebro e sistema nervoso, levando a danos irreversíveis.

Apesar de décadas de pesquisa, a causa exata do lúpus ainda não é completamente compreendida. Acredita-se que ela seja causada por uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e imunológicos.

O termo “lúpus” vem do latim e significa “lobo”. Acredita-se que o nome tenha sido usado pela primeira vez na Roma Antiga devido à semelhança entre as lesões cutâneas em forma de borboleta, característica do lúpus, e as marcas deixadas pelas mordidas de lobos.

 

Embora a doença possa afetar pessoas de qualquer idade e sexo, a doença é bem mais comum em mulheres do que em homens, onde estima-se que cerca de 90% dos casos ocorram nelas, especialmente durante os anos reprodutivos (entre 15 e 45 anos de idade).

Outros fatores de risco incluem:

  • Ter parentes de primeiro grau (pais, irmãos) com lúpus aumenta o risco de uma pessoa desenvolver a doença, o que sugere uma predisposição genética.
  • O lúpus é mais comum em pessoas de origem étnica afrodescendente, hispânica, asiática e nativa americana do que em pessoas de origem caucasiana. Além disso, a doença tende a ser mais grave em pessoas de origem afrodescendente e hispânica.
  • Alterações hormonais, como as que ocorrem durante a puberdade, gravidez e menopausa, podem desempenhar um papel no desenvolvimento ou na exacerbação do lúpus em algumas pessoas.

Além disso, o uso de terapia hormonal, como pílulas anticoncepcionais ou terapia de reposição hormonal, pode estar associado a um maior risco de lúpus em algumas mulheres.

  • Fatores ambientais, como exposição à luz ultravioleta, tabagismo e exposição a certas substâncias químicas, podem aumentar o risco de desenvolver lúpus em pessoas geneticamente predispostas.

 

Atenção aos sintomas do lúpus

O lúpus pode afetar diferentes órgãos e sistemas do corpo, levando a uma variedade de sintomas que variam de leves e graves, e de acordo com o organismo de cada pessoa.

Uma particularidade é que os sintomas podem se sobrepor a outras condições médicas, o que pode tornar o diagnóstico do lúpus desafiador.

É importante ficar atento aos sinais abaixo e buscar ajuda médica.

  • Fadiga persistente e debilitante, que pode interferir significativamente na qualidade de vida.
  • Dor nas articulações, rigidez matinal e inflamação articular, semelhantes aos observados na artrite reumatoide.
  • Um rash cutâneo em forma de borboleta que se espalha pelas bochechas e nariz é um sintoma clássico do lúpus.

No entanto, nem todas as pessoas com lúpus desenvolvem esse rash, e ele pode se manifestar de maneira diferente em cada pessoa.

  • A exposição à luz ultravioleta pode desencadear ou piorar os sintomas, em algumas pessoas, levando a uma erupção cutânea ou agravamento da inflamação.
  • Dor no peito ao respirar profundamente (pleurisia) ou dor no peito associada à inflamação do saco membranoso que envolve o coração (pericardite) são sintomas comuns do lúpus.
  • Falta de ar inexplicável, especialmente durante atividades físicas ou ao deitar, pode ser um sintoma de envolvimento pulmonar no lúpus.
  • Úlceras na boca e no nariz.
  • Nefrite lúpica, ou inflamação nos rins, pode causar sintomas como inchaço nos tornozelos, pressão alta e sangue na urina.
  • O lúpus pode afetar o sistema nervoso central, levando a sintomas como dores de cabeça, dificuldade de concentração, alterações de humor, convulsões, acidentes vasculares cerebrais e distúrbios mentais.
  • Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia podem ocorrer, especialmente durante crises da doença.

 

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para controlar a doença e minimizar o risco de complicações graves.

Não deixe sua saúde para depois, busca orientação médica diante dos sintomas.

 

Tratamento para o lúpus

Atualmente, não existe uma cura definitiva para o lúpus, mas a doença pode ser controlada com tratamento adequado.

O objetivo é controlar os sintomas, prevenir surtos, reduzir a inflamação e evitar complicações. O tratamento do lúpus é individualizado com base nos sintomas específicos e na gravidade da doença de cada paciente, algumas abordagens comuns são:

  • Uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), para aliviar a dor, inflamação articular e o desconforto.
  • Os corticosteroides são frequentemente prescritos para controlar a inflamação em todo o corpo durante surtos agudos de lúpus ou para tratar sintomas graves, como pleurisia, pericardite ou nefrite lúpica.

Eles podem ser administrados por via oral, intravenosa ou por injeção, dependendo da gravidade dos sintomas.

  • Imunossupressores podem ser prescritos para suprimir a resposta imunológica hiperativa associada ao lúpus e reduzir a inflamação em órgãos específicos.
  • Antimaláricos são frequentemente prescritos para controlar sintomas cutâneos, articulares e sistêmicos do lúpus, bem como para prevenir surtos da doença a longo prazo.
  • Alguns pacientes com lúpus grave que não respondem adequadamente a outros tratamentos podem se beneficiar de terapias biológicas, ou outras terapias direcionadas a componentes específicos do sistema imunológico.
  • Como a exposição à luz ultravioleta pode desencadear ou piorar os sintomas do lúpus, é importante que os pacientes evitem a exposição excessiva ao sol, usem roupas de proteção, chapéus e protetor solar com fator de proteção solar elevado.

 

Prevenção do lúpus

Como não se sabe a causa específica do lúpus, acreditando-se que ela é multifatorial, a prevenção eficaz, não é possível.

No entanto, algumas estratégias podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver lúpus ou minimizar a gravidade dos sintomas em pessoas que já têm a doença. Acompanhe.

  • É importante que os pacientes com lúpus evitem a exposição excessiva ao sol, usem roupas de proteção, chapéus e protetor solar com fator de proteção solar (FPS) elevado sempre que estiverem ao ar livre.
  • Evitar o tabagismo e a exposição ao fumo passivo pode ajudar a reduzir o risco de lúpus e melhorar os resultados do tratamento em pacientes já diagnosticados.
  • Adotar um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, exercícios físicos regulares, gerenciamento do estresse e sono adequado, ajuda a fortalecer o sistema imunológico e reduzir o risco de desenvolver doenças autoimunes como o lúpus.
  • Certos medicamentos e agentes anticonvulsivantes foram associados ao desenvolvimento de uma forma induzida de lúpus. Evitar o uso desnecessário desses medicamentos pode ajudar a reduzir o risco de lúpus induzido por drogas em pessoas predispostas.

 

Fontes – Biblioteca Virtual em Saúde; Ministério da Saúde; Sociedade Brasileira de Reumatologia; Altas Diagnósticos; Sociedade Brasileira de Dermatologia; e Minha Vida.