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Doença de Chagas pode matar Para prevenir fique longe do parasita

Publicado em 03 de abril de 2024

Doença de Chagas pode matar Para prevenir fique longe do parasita

A doença de Chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, é parasitária e causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

Ela é transmitida, principalmente, por insetos vetores que são chamados popularmente por “barbeiros”. Esses insetos são encontrados principalmente nas Américas, incluindo partes da América Latina, como o Brasil.

A infecção por Trypanosoma cruzi pode ocorrer de várias maneiras, sendo a mais comum através das fezes dos insetos.

Quando o inseto infectado pica um hospedeiro, ele defeca próximo ao local da picada, liberando os parasitas que, por sua vez, entram no corpo através da pele lesionada ou de mucosas, como a conjuntiva ocular.

Outras formas de transmissão da doença de Chagas são através de transfusões de sangue contaminado, transplantes de órgãos, ingestão de alimentos contaminados, ou de mãe para filho durante a gravidez.

A doença de Chagas pode passar por duas fases distintas: a aguda e a crônica, e os sintomas podem ser diferentes em cada uma delas.

Na fase aguda:

  • Após a picada do inseto vetor, pode ocorrer inchaço, vermelhidão e coceira no local.
  • Sensação geral de indisposição, fadiga e fraqueza.
  • Dores musculares e articulares podem ocorrer.
  • Inchaço ao redor dos olhos, conhecido como “edema palpebral”.
  • Aumento dos gânglios linfáticos.

Na fase crônica:

  • Pode afetar principalmente o coração, levando a complicações como arritmias, insuficiência cardíaca, dilatação do coração e trombos.
  • Comprometimento do sistema digestivo, incluindo dificuldades de deglutição devido a problemas esofágicos e distúrbios intestinais.
  • Dilatação do esôfago, causando dificuldades na passagem de alimentos.
  • Dilatação do cólon, levando a problemas digestivos e constipação.
  • Em alguns casos, pode haver comprometimento do sistema nervoso, causando distúrbios neurológicos.
  • Distúrbios do sono e problemas psicológicos, como ansiedade, também podem ocorrer.

É importante notar que a maioria das pessoas infectadas permanece assintomática por muitos anos.

No entanto, a doença de Chagas pode progredir para a fase crônica, podendo ser grave e potencialmente fatal.

O diagnóstico precoce e o tratamento são essenciais para reduzir o risco de complicações graves.

Tratamento da doença de Chagas

O tratamento da doença de Chagas envolve o uso de medicamentos específicos para combater o parasita.

Os dois principais medicamentos, administrados via oral, são:

  • Benznidazol, onde o tratamento normalmente dura de 60 a 90 dias, mas a duração específica pode variar com base na idade, peso e tolerância do paciente.

Efeitos colaterais podem incluir náuseas, vômitos, perda de apetite, erupções cutâneas e outros sintomas gastrointestinais.

  • Nifurtimox, onde o tratamento geralmente dura de 90 a 120 dias.

Pode causar efeitos colaterais semelhantes aos do benznidazol, incluindo problemas gastrointestinais, além de distúrbios neurológicos, como neuropatia periférica.

É importante ressaltar que o tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente, na fase aguda da doença.

Em casos de infecção crônica, o tratamento pode ser mais desafiador e menos eficaz na eliminação do parasita, mas ainda pode ser benéfico na redução da progressão da doença e na prevenção de complicações.

Durante o tratamento, os pacientes são monitorados de perto para avaliar a resposta ao medicamento e gerenciar quaisquer efeitos colaterais.

Exames de acompanhamento, como os de sangue para detectar a presença do parasita, são realizados para avaliar a eficácia do tratamento.

É fundamental que o tratamento seja administrado sob a supervisão de profissionais de saúde especializados na doença de Chagas.

Em alguns casos, pode ser necessário tratar os sintomas e complicações associadas à fase crônica da doença.

A abordagem terapêutica deve ser personalizada com base na avaliação clínica de cada paciente.

Fatores de risco para a doença de Chagas

São vários os fatores que podem aumentar o risco de contrair a doença de Chagas, entre eles estão:

  • residência em áreas endêmicas;
  • condições de moradia precárias;
  • viagens para áreas endêmicas;
  • exposição ocupacional, como ser trabalhador rural, agricultor e profissionais que lidam com construção e manutenção de habitações;
  • hábitos de higiene e comportamentais, como não lavar as mãos antes de comer;
  • transmissão vertical de grávidas infectadas para seus filhos que estão no ventre;
  • idade, onde crianças e idosos podem estar em maior risco de complicações graves;
  • imunossupressão;
  • exposição acidental a vetores em ambientes urbanos; e
  • fatores socioeconômicos, sendo que populações com acesso limitado a cuidados de saúde e condições adequadas de moradia ficam mais expostas ao risco de contaminação.

Prevenção da doença de Chagas

A prevenção da doença de Chagas envolve medidas para evitar a exposição ao parasita Trypanosoma cruzi, para isso algumas estratégias são:

  • Reduzir a presença de barbeiros em ambientes residenciais. Isso pode incluir o uso de inseticidas apropriados e a aplicação de medidas de higiene ambiental.
  • Melhorar as condições de moradia para evitar a entrada e o abrigo dos insetos, como vedação de rachaduras e fendas nas paredes.
  • Utilizar telas em portas e janelas para evitar a entrada dos insetos.
  • Evitar dormir em áreas onde os barbeiros são conhecidos por serem ativos, como em cabanas de pau a pique.
  • Usar mosquiteiros tratados com inseticida durante o sono, especialmente em áreas endêmicas.
  • Sacudir roupas de cama, roupas e calçados antes de usá-los, pois os barbeiros podem se esconder nesses objetos.
  • Evitar o consumo de alimentos ou sucos contaminados, pois a doença pode ser transmitida por via oral.
  • Ter cuidado com a transfusão de sangue e transplantes de órgãos, pois a transmissão também pode ocorrer por meio desses processos.
  • Realizar triagem e testes para detectar a presença do parasita em doadores de sangue e órgãos.
  • Adotar medidas para garantir a segurança transfusional e de transplantes.
  • Realizar exames para detectar a presença do parasita em mulheres grávidas, e assim prevenir a transmissão vertical (de mãe para filho) durante a gestação e no parto.
  • Fornecer tratamento adequado para mulheres grávidas infectadas.
  • Promover a conscientização sobre a doença de Chagas em comunidades que estão em áreas endêmicas.
  • Educar profissionais de saúde para reconhecer sintomas, realizar diagnósticos e fornecer tratamento adequado.
  • Manter sistemas de vigilância para monitorar e controlar a prevalência da doença em áreas endêmicas.
  • Implementar estratégias de controle em resposta a surtos ou mudanças nas condições epidemiológicas.

Fontes – Biblioteca Virtual em Saúde; MSD Manuals; Fiocruz; Drauzio Varella; Médicos Sem Fronteiras; e CNN Brasil.