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Enfermagem: a força silenciosa da saúde brasileira

Publicado em 13 de maio de 2026

Enfermagem: a força silenciosa da saúde brasileira

Artigo de Sueli Noronha Kaiser, fundadora e presidente do Conselho Consultivo do Grupo Cene, publicado em veículos de todo o país.

No dia 12 de maio, quando se celebra o Dia do Enfermeiro, o Brasil tem mais uma oportunidade de reconhecer uma das profissões mais essenciais para o funcionamento do sistema de saúde. Em hospitais, unidades básicas, clínicas, ambulatórios, empresas e, cada vez mais, dentro das casas dos pacientes, enfermeiros e enfermeiras sustentam uma engrenagem indispensável para a preservação da vida. São profissionais que vão muito além da execução de procedimentos: coordenam equipes, organizam fluxos de atendimento, garantem a segurança assistencial e atuam como elo entre pacientes, familiares, médicos e todo o sistema de cuidado.

Sem a enfermagem, simplesmente não existe assistência estruturada. O enfermeiro está no centro das decisões cotidianas que garantem a continuidade do tratamento, a humanização do atendimento e a qualidade da assistência. Seu papel combina conhecimento técnico, capacidade de liderança, gestão de pessoas e sensibilidade humana. Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, essa atuação ganha ainda mais relevância.

A enfermagem brasileira também se tornou protagonista em novas frentes de cuidado. A presença desses profissionais fora do ambiente hospitalar é hoje estratégica para prevenir doenças, promover saúde e ampliar o acesso da população ao atendimento contínuo. Na atenção primária, na saúde da família, na educação em saúde, na pesquisa, na gestão e até no empreendedorismo, os enfermeiros ocupam espaços fundamentais para modernizar o setor.

Nesse contexto, o crescimento da atenção domiciliar talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. Levar assistência para dentro da casa do paciente representa uma mudança profunda na forma de cuidar. O ambiente doméstico oferece características impossíveis de serem reproduzidas no hospital: proximidade da família, conforto emocional, continuidade da rotina e cuidado personalizado. É o paciente sendo tratado dentro do próprio mundo, cercado de vínculos afetivos e acolhimento.

Os benefícios são evidentes. O cuidado domiciliar melhora a qualidade de vida, reduz riscos de infecções hospitalares, diminui complicações e permite uma abordagem mais integral, considerando corpo, mente e ambiente familiar. O enfermeiro, nesse cenário, torna-se peça-chave para garantir segurança clínica, acompanhamento constante e suporte imediato à equipe médica.

Mas os desafios também são grandes. O profissional precisa compreender que a casa do paciente é, temporariamente, seu ambiente de trabalho. É necessário tomar decisões rápidas, possuir alto nível de conhecimento técnico e lidar com uma dinâmica familiar que nem sempre está preparada para participar do tratamento. A relação com os familiares exige empatia, firmeza e habilidade de comunicação, especialmente no acompanhamento de idosos e pacientes crônicos, que demandam atenção contínua.

Ao mesmo tempo, a tecnologia vem ampliando a capacidade da enfermagem de oferecer um atendimento mais eficiente e seguro. Prontuários eletrônicos, registros em tempo real, integração entre equipes, telemedicina e sistemas de monitoramento remoto já fazem parte da rotina de muitos profissionais. Essas ferramentas reduzem falhas, agilizam decisões e fortalecem a qualidade da assistência.

Valorizar a enfermagem, portanto, não é apenas reconhecer uma categoria profissional. É fortalecer a própria estrutura da saúde brasileira. Em qualquer nível de atendimento, da prevenção ao tratamento intensivo, existe um enfermeiro garantindo que o cuidado aconteça de forma organizada, humana e segura. Em tempos de transformação do setor, a sociedade precisa compreender que investir nesses profissionais é investir diretamente na vida, na dignidade e no futuro da saúde no Brasil.

*Sueli Noronha Kaiser é fundadora e presidente do Conselho Consultivo do Grupo Cene, com 40 anos de atuação. Enfermeira formada pela Pontifícia Universidade Católica-RJ.

Publicado originalmente em A Redação, com repercussão em Jornal da Manhã (PR), Diário do Aço (MG), Hoje em Dia (MG), Gazeta de Bebedouro (SP), Conexão Tocantins (TO), Jornal da Região (SP), Portal Princesa do Sertão (BA), Consumidor BR, Sis Saúde e Gazeta da Semana.