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TDAH vai muito além de uma falta de atenção. Busque auxílio especializado

Publicado em 03 de abril de 2025

TDAH vai muito além de uma falta de atenção. Busque auxílio especializado

É cada vez mais comum ouvirmos falar de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que é um distúrbio neurodesenvolvimental que afeta o comportamento e o funcionamento cerebral. 

O TDAH apresenta uma combinação de sintomas que podem variar em intensidade e se manifestam em três grupos principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. 

Esses sintomas afetam diferentes áreas da vida, como escola, trabalho, relacionamentos e atividades diárias.

 

Quando se fala em desatenção, os principais sintomas são: 

  • Falta de atenção aos detalhes, cometendo erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou outras atividades.
  • Dificuldade em manter o foco em tarefas ou durante conversas.
  • As pessoas parecem não ouvir quando falam diretamente com elas.
  • Problemas para seguir instruções e concluir tarefas ou projetos.
  • Dificuldade em organizar tarefas e gerenciar o tempo.
  • Tendência a evitar ou relutar na realização de tarefas que exijam esforço mental prolongado.
  • Esquecimento frequente de compromissos, tarefas ou objetos, como livros ou chaves.
  • Facilidade para se distrair com estímulos externos ou pensamentos aleatórios.

Quando se fala em hiperatividade, é comum uma inquietação constante e dificuldade em permanecer parado. Esteja atento para: 

  • Movimentos excessivos, como mexer nas mãos ou nos pés, ou se remexer na cadeira.
  • Dificuldade em permanecer sentado em situações em que isso é esperado, como na sala de aula ou em reuniões.
  • Sensação de estar “sempre ligado” ou em movimento.
  • Falar temporariamente ou interromper outras pessoas durante conversas.
  • Dificuldade em realizar atividades de forma calma ou silenciosa.
  • Agitação constante, mesmo em situações onde é necessário ficar parado.

Entre os sintomas de impulsividade está o agir sem pensar nas consequências, o que pode gerar problemas em diversas áreas:

  • Dificuldade em esperar pela sua vez, como em filas ou durante jogos.
  • Interrupções frequentes de conversas ou atividades dos outros.
  • Responder perguntas antes mesmo de elas serem concluídas.
  • Tomada de decisões impulsivas, que podem levar a riscos desnecessários.

As manifestações do TDAH podem acontecer em diferentes idades. 

Quando aparecerem na infância, os sintomas geralmente ficam visíveis antes dos 12 anos e podem incluir dificuldade em prestar atenção nas aulas, hiperatividade em ambientes inadequados e comportamento impulsivo.

Se o TDAH se apresenta na adolescência e vida adulta a hiperatividade pode diminuir, mas os problemas de atenção e impulsividade permanecem frequentemente, impactando desempenho acadêmico e profissional.

 

Números e impacto do TDAH 

No Brasil, estudos indicam que o TDAH afeta cerca de 3-6% das crianças em idade escolar , tornando-o uma das principais causas de dificuldades acadêmicas.

Também estima-se que 2% dos adultos brasileiros tenham TDAH, embora muitos não sejam divulgados ou tratados especificamente.

Muitos casos são identificados apenas na adolescência ou na vida adulta, quando os sintomas começam a impactar significativamente o desempenho acadêmico ou profissional.

Na vida cotidiana, quando não se tem o controle do TDAH, isso acaba impactando no desempenho escolar, onde aproximadamente, de 40-50% das crianças com a condição, apresentam dificuldades de aprendizagem devido à desatenção ou impulsividade.

Já os adultos com TDAH têm maior risco de enfrentar problemas no emprego, com altas taxas de desemprego ou subemprego. 

E mais, a ausência de tratamento adequado pode aumentar a incidência de ansiedade, depressão e baixa autoestima.

 

Fatores de risco para o TDAH 

As causas do TDAH são multifatoriais, envolvendo aspectos genéticos, ambientais e biológicos. 

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do TDAH são:

  • Genética – estudos mostram que 40% a 70% dos casos apresentam histórico familiar do transtorno. Mutações genéticas que afetam a regulação de neurotransmissores, como a dopamina, estão frequentemente associadas ao TDAH.
  • Alterações sem desenvolvimento cerebral – diferenças em áreas do cérebro responsáveis ​​pela atenção, impulsividade e controle motor (como o córtex pré-frontal) são comuns em pessoas com TDAH.

Problemas de regulação de neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, desempenham um papel significativo.

  • Exposição pré-natal a matéria nociva como o consumo de álcool, cigarro ou drogas durante a gravidez pode aumentar o risco. A exposição a toxinas, como chumbo, também está associada.
  • Complicações durante a gestação e o parto, com prematuridade, baixo peso ao nascer e hipóxia (falta de oxigênio ao nascer) podem ser fatores de risco.
  • Embora não sejam causas diretas, fatores como alimentação desequilibrada e excesso de consumo de açúcar podem agravar os sintomas em algumas crianças.
  • Trauma e ambiente familiar – crianças que crescem em ambientes caóticos, com conflitos familiares constantes, podem ter maior risco de desenvolver sintomas relacionados ao TDAH.

Eventos traumáticos na infância também podem influenciar o desenvolvimento do transtorno ou agravar seus sintomas.

Vale destacar que o TDAH pode ocorrer junto com outros transtornos, como: TOD – Transtorno de Oposição Desafiante; ansiedade ou depressão; e transtornos de aprendizagem. 

 

Diagnóstico e tratamento para o TDAH

O diagnóstico do TDAH é clínico e baseado na avaliação dos sintomas e do impacto que eles causam na vida da pessoa. Ele deve ser realizado por profissionais especializados, como psiquiatras, psicólogos ou neurologistas.

Para isso é levado em consideração há quanto tempo os sintomas estão presentes, que deve ser por, pelo menos, seis meses e em dois ou mais ambientes (escola, trabalho, casa). 

Também é considerado se acontecem prejuízos significativos no desempenho social, acadêmico ou ocupacional. 

E mais, os sintomas precisam se manifestar antes dos 12 anos de idade (embora possam ser reconhecidos apenas na vida adulta).

Os profissionais fazem entrevistas clínicas com a pessoa e, no caso de crianças, também com os pais e professores. 

São avaliadas as condições médicas ou genéticas associadas e feitas as escalas de avaliação, que são questionários padronizados para medir a intensidade dos sintomas.

Em paralelo, são considerados os diagnósticos diferenciais, como ansiedade, depressão ou dificuldades de aprendizagem. 

O tratamento do TDAH é focado em melhorar a qualidade de vida de quem convive com o transtorno, proporcionando mais atenção, reduzir a impulsividade e minimizar os impactos do transtorno no dia a dia.

Mas lembre-se que, cada caso deve ser avaliado separadamente, por um especialista, que irá direcionar o tratamento mais adequado. 

As opções são: 

  • Medicamentos estimulantes, que são os mais usados, como o metilfenidato (Ritalina, Concerta) e anfetaminas. Eles ajudam a regular os neurotransmissores como a dopamina, melhorando o foco e o controle dos impulsos.
  • Medicamentos que não estimulam, como a atomoxetina ou clonidina. 

Em ambos os casos, o medicamento deve ser prescrito e monitorado por um médico, considerando possíveis efeitos colaterais.

  • Terapia comportamental e psicológica, que ajuda no desenvolvimento de habilidades para lidar com os sintomas. 
  • A terapia cognitivo-comportamental trabalha estratégias para melhorar a organização, o controle dos impulsos e a regulação emocional. 
  • Treinamento parental para ensinar os pais a lidar com o comportamento da criança de forma positiva.
  • Intervenções educacionais com adaptações no ambiente escolar, como maior tempo para a realização de provas ou atividades, podem ser essenciais. 
  • Estilo de vida e mudanças comportamentais, com a pratica constante de atividades físicas, para ajudar na redução da hiperatividade e melhorar a concentração.
  • Alimentação balanceada onde evita-se alimentos muito processados ​​ou com excesso de açúcares.
  • Investimento em rotinas estruturadas, com estabelecimento de horários fixos para atividades diárias.

O TDAH afeta diversas áreas da vida, por isso, um tratamento multidisciplinar (envolvendo médicos, psicólogos, educadores e familiares) é essencial para um resultado eficaz.

O suporte emocional de amigos e familiares também auxilia na melhora da autoestima e da qualidade de vida.

 

Como prevenir o TDAH?

O TDAH não pode ser completamente prevenido, já que suas causas estão ligadas a fatores genéticos e neurológicos. No entanto, algumas ações podem reduzir os fatores de risco e minimizar o impacto do transtorno. 

Acompanhe as dicas: 

Cuidados no período pré-natal: 

  • Não consuma álcool, cigarro ou drogas durante a gravidez, pois essas substâncias podem afetar o desenvolvimento cerebral do bebê. 
  • Consultas médicas frequentes ajudam a identificar e tratar possíveis complicações.
  • Invista em uma dieta rica em nutrientes para o desenvolvimento adequado do sistema nervoso.

Ofereça um ambiente saudável na primeira infância: 

  • Reduza o contato com substâncias como chumbo ou pesticidas.
  • Minimize conflitos familiares e garanta um ambiente estável e acolhedor.
  • Incentive brincadeiras que promovam atenção e foco, como quebra-cabeças e jogos de memória.

Promova um estilo de vida saudável: 

  • O sono adequado é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e comportamental.
  • Praticar exercícios ajuda a melhorar a concentração e a reduzir comportamentos hiperativos.
  • Uma dieta equilibrada, rica em vitaminas e nutrientes, pode apoiar o funcionamento cerebral saudável.

Identificação precoce e intervenção: 

  • Fique atento a sinais de desatenção, hiperatividade ou impulsividade desde cedo.
  • Em casos de suspeita, procure um especialista para avaliação precoce.
  • Ensinar crianças a lidar com frustrações e emoções pode ajudar no manejo de sintomas comportamentais.

 

Fontes – Associação Brasileira do Déficit de Atenção; Biblioteca Virtual em Saúde; Hospital Albert Einstein; Portal Drauzio Varella; CNN Brasil; Catraca Livre e Tua Saúde.