O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que se dividem de forma acelerada e descontrolada, formando um tumor.
Se não for tratado, esse tumor pode invadir tecidos e órgãos vizinhos ou se espalhar para outras partes do corpo através da corrente sanguínea ou do sistema linfático, em um processo conhecido como metástase.
O Inca – Instituto Nacional de Câncer estima que, para cada ano do triênio 2023-2025, o Brasil terá 73.610 novos casos de câncer de mama. Isso representa uma taxa de 66,54 casos por 100 mil mulheres.
O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras. Em 2021, a doença foi responsável por mais de 18 mil mortes.
Apesar dos números alarmantes, quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer de mama tem grandes chances de cura. Por isso manter uma rotina de exames preventivos é tão importante.
Também é importante lembrar que a maioria dos nódulos na mama é benigna, mas apenas um profissional de saúde pode fazer o diagnóstico correto. Fale com o seu médico e siga as orientações dele.
Existem vários tipos de câncer de mama, porém, os mais comuns são:
- Carcinoma ductal in situ (CDIS) – é o tipo mais inicial de câncer. As células cancerígenas estão confinadas aos ductos da mama e não se espalharam para o tecido mamário circundante.
É considerado um pré-câncer, mas se não for tratado, pode se tornar invasivo.
- Carcinoma ductal invasivo – é o tipo mais comum. As células cancerígenas se originaram nos ductos da mama, mas invadiram o tecido mamário.
Elas têm potencial de se espalhar para outras partes do corpo.
- Carcinoma lobular invasivo – se desenvolve nos lóbulos da mama, glândulas que produzem leite, e se espalha para o tecido mamário.
É o segundo tipo mais comum.
Fatores de risco para o câncer de mama
São considerados fatores de risco para o câncer de mama as características ou hábitos que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença. Por outro lado, ter um ou mais deles não significa que o câncer irá se desenvolver, mas é importante estar ciente deles para adotar medidas preventivas e de rastreamento.
Entre os fatores de risco que não podem ser modificados, pois o paciente não tem controle estão:
- Gênero, pois ser mulher é o principal fator de risco para o câncer de mama. Embora homens também possam ter a doença, é muito mais comum em mulheres.
- Idade, onde a grande maioria dos casos de câncer de mama ocorre em mulheres com mais de 50 anos. O risco aumenta significativamente com o avanço da idade.
- Histórico familiar, onde ter parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama, especialmente se diagnosticado antes dos 50 anos, aumenta o risco.
- Genética, pois as mutações herdadas em certos genes, como o BRCA1 e o BRCA2, estão fortemente ligadas a um risco elevado de câncer de mama e de ovário.
- Densidade mamária, já que mamas densas (com mais tecido glandular e fibroso do que gordura) dificultam a identificação de tumores em exames de mamografia.
- Histórico menstrual, onde a menstruação tem início antes dos 12 anos, e a menopausa chega após os 55 anos. Ambos os fatores aumentam a exposição aos hormônios estrogênio e progesterona, que podem estimular o crescimento de células cancerígenas.
Tem também os fatores de risco modificáveis, que estão relacionados ao estilo de vida, e podem ser alterados para diminuir o risco. São eles:
- O consumo excessivo de álcool está associado a um risco maior de câncer de mama. A recomendação é limitar a ingestão.
- Estar acima do peso ou ser obeso, principalmente após a menopausa, aumenta o risco. A gordura produz estrogênio, que pode estimular o crescimento de células cancerígenas.
- A falta de atividade física regular é um fator de risco.
- Fumar aumenta o risco de vários tipos de câncer, incluindo o de mama.
- O uso de TRH – terapia de reposição hormonal combinada (estrogênio e progesterona), por um longo período após a menopausa, pode aumentar o risco.
- Mulheres que não têm filhos ou que têm o primeiro filho em idade mais avançada podem ter um risco um pouco maior.
Embora não seja possível eliminar todos os riscos, adotar um estilo de vida saudável — com uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e moderação no consumo de álcool — pode ajudar a reduzir as chances de desenvolver a doença. Além disso, o rastreamento regular, como a mamografia, é fundamental para o diagnóstico precoce.
Sinais e sintomas do câncer de mama
Embora o indicado seja fazer exames preventivos, sem ter qualquer sintoma, alguns sinais podem acender um alerta de que é preciso procurar um médico o quanto antes.
O mais frequente e conhecido é a presença de um nódulo (caroço), que pode ser detectado por apalpação, ou seja, conhecer o seu corpo e fazer o autoexame também é fundamental.
Esse nódulo pode ter as seguintes características: ser rígido e fixo; ter bordas irregulares; e não causa dor.
Outros sinais que podem indicar um câncer de mama são:
- Alterações na pele da mama, que fica grossa e com poros dilatados, parecendo a casca de uma laranja. A mama também pode ficar inchada e avermelhada. E a pele do local apresentar uma área deprimida ou enrugada.
- Alterações no mamilo, onde o que era projetado para fora, passa a ficar retraído. Surgimento de feridas ou crostas que não cicatrizam no mamilo ou na aréola.
- Presença de secreção com saída de líquido de forma espontânea pelo mamilo, que pode ser transparente, amarelada ou com sangue.
- Um nódulo ou inchaço na região da axila pode indicar que o câncer se espalhou para os gânglios linfáticos.
- Embora a maioria dos casos não seja dolorosa, uma dor persistente e localizada em uma parte da mama deve ser avaliada.
Diagnóstico do câncer de mama
O diagnóstico precoce e um plano de tratamento personalizado são os pilares para o combate eficaz ao câncer de mama.
A detecção em estágios iniciais, muitas vezes antes que os sintomas apareçam, aumenta significativamente as chances de cura. Esse diagnóstico envolve uma série de exames que confirmam a presença de células cancerígenas e determinam o tipo e o estágio da doença.
O exame clínico das mamas é realizado por um médico ou enfermeiro, sendo a primeira etapa para identificar possíveis nódulos ou outras alterações suspeitas.
A mamografia é o principal exame de rastreamento, funcionando como uma radiografia das mamas capaz de identificar alterações pequenas, muitas vezes antes que possam ser sentidas ao toque.
É recomendada anualmente para mulheres a partir de 40 anos, ou conforme a orientação médica para aquelas com alto risco.
A ultrassonografia é um exame complementar à mamografia, que utiliza ondas sonoras para produzir imagens detalhadas das mamas. É útil para distinguir entre cistos (lesões cheias de líquido, que geralmente são benignas) e nódulos sólidos.
A biópsia é o único método que pode confirmar o diagnóstico de câncer. Uma pequena amostra de tecido suspeito é retirada da mama e enviada para análise em laboratório.
O patologista examinará a amostra para determinar se há células cancerígenas, qual o tipo do tumor e suas características.
Já os exames de estadiamento acontecem se o câncer for confirmado, quando outros exames (como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou exames de sangue) podem ser solicitados para verificar se a doença se espalhou para outras partes do corpo.
Tratamento do câncer de mama
O tratamento do câncer de mama é planejado de acordo com o tipo, o estágio da doença, as características do tumor e a saúde geral da paciente.
Trata-se de uma jornada complexa que exige uma equipe multidisciplinar, incluindo mastologista, oncologista, radioterapeuta e enfermeiro. O apoio psicológico também é fundamental para o bem-estar da paciente durante todo o processo.
As opções de tratamento podem ser usadas isoladamente ou em combinação, e as opções envolvem:
- Cirurgia – é a forma mais comum de tratamento. O objetivo é remover o tumor e, se necessário, os gânglios linfáticos próximos.
As principais cirurgias são: conservadora, que remove apenas o tumor e uma pequena margem de tecido saudável ao redor; mastectomia, quando a mama é removida, sendo que em alguns casos, a reconstrução da mama pode ser feita durante ou após a cirurgia.
- Radioterapia – utiliza raios de alta energia para destruir as células cancerígenas que possam ter permanecido na área após a cirurgia. É frequentemente usada em conjunto com a cirurgia conservadora para reduzir o risco de recidiva.
- Quimioterapia – usa medicamentos para matar as células cancerígenas. Pode ser administrada antes da cirurgia (para reduzir o tamanho do tumor) ou depois (para eliminar células remanescentes e reduzir o risco de recidiva).
- Terapia hormonal – indicada para tumores que são sensíveis aos hormônios estrogênio e progesterona. O tratamento bloqueia os efeitos desses hormônios nas células cancerígenas, impedindo seu crescimento.
- Terapia-alvo – usa medicamentos que atuam em alvos específicos das células cancerígenas, como proteínas ou genes que promovem o crescimento do tumor. É um tratamento mais preciso e com menos efeitos colaterais.
- Imunoterapia – ajuda o sistema imunológico do corpo a reconhecer e destruir as células cancerígenas. É uma opção mais recente, mas que vem apresentando resultados promissores.
O câncer de mama tem cura, principalmente quando diagnosticado em estágios iniciais. As chances podem chegar a 95% quando a doença é detectada precocemente.
A cura depende de fatores como: estágio da doença, tipo de tumor e acesso ao tratamento.
Os avanços na medicina, incluindo cirurgias mais conservadoras, novas terapias e o uso de quimioterapia e radioterapia mais direcionadas, têm aumentado significativamente as taxas de sucesso no tratamento.
A melhor forma de garantir a cura é focar no diagnóstico precoce. A mamografia regular e o autoconhecimento das mamas são as ferramentas mais importantes para identificar a doença em sua fase inicial, quando o tratamento é mais eficaz.
Prevenção do câncer de mama
O câncer de mama, por ser uma doença multifatorial, não tem uma forma de prevenção 100% garantida. No entanto, é possível reduzir o risco de desenvolver a doença e, mais importante, aumentar as chances de cura por meio do diagnóstico precoce.
Na prevenção primária busca-se adotar um estilo de vida saudável, que poderá ajudar a diminuir as chances de desenvolver o câncer. Para isso:
- Mantenha o peso ideal – a obesidade, principalmente após a menopausa, aumenta a produção de hormônios que podem estimular o crescimento do tumor. Mantenha um peso saudável para a sua altura.
- Pratique atividade física – exercitar-se regularmente (pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana) ajuda a reduzir o risco de câncer de mama.
- Limite o consumo de álcool – quando o consumo de álcool é excessivo, está associado a um risco maior. Tente limitar a ingestão de bebidas alcoólicas.
- Evitar o tabagismo – fumar não apenas aumenta o risco de câncer de mama, mas de muitos outros tipos de câncer e doenças.
- Amamente – a amamentação é um fator protetor, pois diminui a exposição ao estrogênio.
A prevenção secundária está alinhada a detecção em estágios iniciais, antes mesmo que a pessoa sinta qualquer sintoma, é a estratégia mais eficaz para aumentar as chances de cura, que podem chegar a 95% quando o câncer é descoberto cedo. Para isso faça:
- Mamografia anual, sendo indicada para mulheres sem histórico familiar de câncer, onde a recomendação geral é fazer o exame anualmente a partir dos 40 anos. Para mulheres com alto risco, a mamografia pode ser indicada mais cedo e com uma frequência diferente.
- Exame clínico das mamas, realizado por um profissional de saúde (médico ou enfermeiro), onde a avaliação deve fazer parte da rotina de consultas.
- Autoconhecimento, pois ninguém precisa conhecer melhor seu corpo, do que você mesma. Fique atenta a qualquer alteração na forma, tamanho ou textura das suas mamas ou mamilos. Se notar algo diferente, procure um médico imediatamente. O autoexame não substitui a mamografia, mas é uma ferramenta para o autoconhecimento.
Fontes – Sociedade Brasileira de Mastologia; Instituto Nacional de Câncer; Instituto Oncoguia; Instituto Vencer o Câncer; Einstein; e Biblioteca Virtual em Saúde.
