Fazer um detox depois de um período de festas, onde se exagerou tanto na diversidade como quantidade de comida e bebida ingeridos.
Isso serve para períodos de férias, fim de ano, carnaval, ou mesmo um feriado prolongado onde a pessoa exagerou.
Essa mudança na alimentação acaba sobrecarregando o corpo de toxinas, interferindo no seu metabolismo. Em geral, os três principais vilões são o álcool, açúcar refinado e gorduras saturadas.
O corpo fica inflamado e o fígado tem dificuldade para processar tudo isso. E assim surge o detox, como uma tentativa de dar um descanso para esses órgãos e acelerar a eliminação desses resíduos.
Muitas pessoas também costumam apontar uma retenção de líquidos, ao fugirem tanto da sua rotina alimentar. Isso acontece porque é comum haver também um consumo maior de sódio, que puxa a água para fora das células, causando o inchaço.
Às vezes a pessoa nem ganhou peso, mas está com a retenção que a faz mais pesada. O detox também ajuda nesses casos.
Na abordagem integrativa, o detox não deve ser uma dieta extremamente rigorosa, mas apenas o retorno a rotina alimentar, tirando os itens que foram consumidos em excesso.
E, somente se for mesmo necessário, se ainda houver um excesso de peso que não quer ir embora depois de alguns dias, pensar em um maior controle de calorias, para restabelecer o peso ideal.
Se tiver dúvidas, ou se o detox for necessário por um período mais longo, o indicado é consultar um profissional de saúde para a melhor orientação, pois apenas um especialista pode avaliar as necessidades de cada pessoa.
Erros comuns durante um detox
É preciso cuidado com o desejo de limpar o corpo rapidamente após os excessos. A busca por resultados imediatos pode agredir o metabolismo em vez de ajudá-lo.
Os erros mais comuns cometidos durante um detox são:
- Fazer dietas restritivas extremas – o corpo precisa de aminoácidos (proteínas) para realizar as fases de desintoxicação no fígado.
Passar dias apenas tomando suco ou chá priva o fígado dos nutrientes necessários para neutralizar toxinas.
O resultado pode ser perda de massa muscular, fraqueza e o famoso efeito sanfona, onde se recupera o peso logo em seguida.
- Uso de laxantes e diuréticos fortes – muitos chás apontados como detox milagrosos contêm ervas laxativas (como sene) ou diuréticos potentes.
Isso pode levar a uma confusão entre perder líquidos ou esvaziar o intestino com desintoxicação real.
Cuidado para não entrar em desidratação, perda de eletrólitos (potássio e magnésio) e desequilíbrio da flora intestinal, o que prejudica a imunidade.
- Focar no curto prazo – achar que três dias de detox vão anular um ano inteiro de má alimentação.
Não veja o detox como um castigo temporário, ele deve ser um ponto de partida para novos hábitos.
Se não for feito da forma correta, o resultado será frustração e retorno aos hábitos antigos assim que o período do detox acabar.
- Ignorar a hidratação adequada – muitas pessoas focam em alimentos específicos (como o suco verde), mas esquecem de beber água pura.
Acontece que as toxinas são eliminadas principalmente pela urina, suor e fezes. Sem água, o corpo não tem como transportar esse “lixo” para fora.
O resultado pode ser dores de cabeça, constipação e cansaço.
- Cortar grupos alimentares sem critério – eliminar gorduras boas ou carboidratos complexos de forma radical.
O cérebro e o corpo precisam de energia para manter as funções básicas durante o processo de limpeza. Se você a elimina, pode gerar irritabilidade, névoa mental e queda na produtividade.
Faça um detox eficiente
Para que um detox seja eficiente, e forneça ao corpo as ferramentas necessárias para que os órgãos de eliminação (fígado, rins, intestino e pele) trabalhem na sua capacidade máxima, é necessário:
- Estimular o fígado com nutrientes reais – o fígado é o seu filtro principal. Para neutralizar toxinas, ele precisa de nutrientes, não de jejum extremo.
Coma brócolis, couve-flor, couve e repolho. Eles contêm sulforafanos que ativam as enzimas de desintoxicação.
E garanta proteínas leves (peixe, ovos ou proteínas vegetais) para que o fígado consiga completar as fases de limpeza química.
- Ajude a limpar o intestino com fibras – não adianta o fígado filtrar as toxinas se elas ficarem presas no intestino.
Coma sementes de linhaça, chia e farelo de aveia. Elas funcionam como uma “vassoura” que carrega o lixo metabólico para fora do corpo.
- Hidratação estratégica – a água é o meio de transporte das toxinas para os rins.
Água com limão ajuda a alcalinizar e estimula a produção de bile.
Já alguns chás específicos apoiam o fígado e a digestão, como dente-de-leão, alcachofra e boldo.
- Retire os inflamatórios – durante o período de detox, geralmente de se a 15 dias, remova o que gera carga tóxica como industrializados, que trazem corantes, conservantes e adoçantes artificiais.
Açúcar e álcool são os principais sobrecarregadores do sistema hepático. E o excesso de cafeína pode sobrecarregar as glândulas suprarrenais.
- Ative a pele e a circulação – pratique atividade física ou faça sauna. O suor ajuda a eliminar metais pesados e toxinas.
Invista no sono reparador, pois o sistema linfático do cérebro (sistema glinfático) faz o “detox cerebral” enquanto a pessoa dorme profundamente.
Quem e quando fazer detox
O protocolo de detox, que envolve mudanças mais profundas na dieta e uso de chás específicos não é indicado para qualquer pessoa ou idade.
Para adultos saudáveis que sentem os efeitos dos excessos (inchaço, fadiga, má digestão) e não possuem condições crônicas graves, o detox é ideal para o equilíbrio nutricional, removendo inflamatórios e aumentando a ingestão de água e fibras.
Crianças e adolescentes não devem fazer detox. Eles estão em fase de crescimento acelerado e precisam de uma oferta constante e variada de calorias e nutrientes.
Idosos devem ter cautela com detox extremos, pois têm maior risco de desidratação e perda de massa muscular.
Já gestantes, lactantes, diabéticos, pessoas com doenças renais crônicas e com histórico de transtornos alimentares devem evitar detox, ou ter um acompanhamento médico especializado para fazê-lo.
Quanto ao intervalo, muitos profissionais recomendam uma limpeza mais estruturada na mudança das estações, a cada três meses, em média. Isso porque ele ajuda o corpo a se adaptar às novas temperaturas e disponibilidades de alimentos.
Para os que fazem detox de manutenção, um protocolo suave é fazê-lo entre dois e três dias, mensalmente.
Também existe o detox que é feito quando o corpo começa a dar sinais de sobrecarga. Fique atento para: cansaço excessivo ao acordar, pele opaca ou com acne súbita, intestino preso ou excesso de gases e dificuldade de concentração (névoa mental).
E há quem prefira investir no detox diário, feito através de pequenos hábitos diários que apoiam o fígado e os rins constantemente.
Beba água com limão ao acordar, ingira fibras em todas as refeições e pratique o jejum fisiológico (pelo menos 12h entre o jantar e o café da manhã). E nunca esqueça de falar com o seu médico, antes de fazer qualquer mudança alimentar muito restritiva.
Fontes – Hospital da Obesidade; Portal Terra; Tua Saúde; G1 Saúde; CNN Brasil; Veja Saúde; Quero Vida e Saúde; Nav Dasa;
