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Janeiro Branco: o quanto a saúde mental pode interferir na saúde do corpo

Atualmente, a ciência já não separa a mente do corpo, pois ambos funcionam como um sistema único e integrado. Quando a sua saúde mental está abalada, o cérebro envia sinais químicos e elétricos que alteram o funcionamento de quase todos os órgãos, ou seja, a saúde mental pode interferir diretamente na saúde do seu corpo.

Os sintomas físicos que têm origem ou são agravados por fatores emocionais são chamados de psicossomáticos. Eles ocorrem devido a essa ligação do sistema nervoso central com os órgãos através de nervos e hormônios.

Veja os principais sintomas divididos por sistemas:

  1. Sistema gastrointestinal (o mais afetado) – o trato digestivo é extremamente sensível a emoções como ansiedade, medo e estresse.
  • Dores de estômago e queimação: a ansiedade aumenta a produção de ácido gástrico (gastrite nervosa).
  • Nó na garganta: sensação de dificuldade para engolir ou algo preso.
  • Alterações intestinais: diarreia súbita (comum antes de eventos estressantes) ou prisão de ventre crônica.
  • Estufamento e gases: o estresse altera a movimentação do intestino.

 

  1. Sistema cardiovascular e respiratório – os sintomas costumam assustar, pois simulam problemas graves no coração ou pulmão.
  • Taquicardia (palpitações): sensação de que o coração está “pulando” ou batendo forte demais.
  • Dor ou aperto no peito: muitas vezes confundido com infarto, mas ligado à ansiedade intensa.
  • Falta de ar ou respiração curta: sensação de que o ar não chega aos pulmões, mesmo sem problemas físicos.
  • Suor frio e mãos geladas: resposta direta do sistema nervoso ao estresse.

 

  1. Sistema muscular e esquelético – o corpo “guarda” o estresse na forma de tensão muscular constante.
  • Dores nas costas e pescoço: tensão acumulada nos ombros e região lombar.
  • Cefaleia tensional: aquela dor de cabeça que parece uma “faixa” apertando o crânio.
  • Bruxismo: apertar ou ranger os dentes durante o sono, causando dor na mandíbula e dentes sensíveis.
  • Tremores: especialmente nas mãos, pálpebras ou pernas.

 

  1. Sistema dermatológico – a pele e o sistema nervoso têm a mesma origem embrionária, por isso a ligação é tão forte.
  • Urticária e coceira: manchas vermelhas ou coceira intensa sem causa alérgica aparente.
  • Psoríase e vitiligo: doenças que muitas vezes surgem ou pioram drasticamente após traumas emocionais.
  • Queda de cabelo: perda de cabelo em áreas circulares ou queda generalizada após meses de estresse intenso.

 

  1. Outros sintomas gerais comuns são:
  • Cansaço extremo (fadiga): uma exaustão que não passa mesmo depois de dormir 8 horas.
  • Baixa imunidade: gripes, resfriados ou herpes que aparecem repetidamente.
  • Tonturas e desequilíbrio: sensação de estar “fora do corpo” ou tontura que vem e vai.

 

Sintoma físico ou de fundo emocional?

Existem três sinais principais de que o corpo está reagindo ao emocional, ou seja, que o corpo está mostrando que existe uma grande possibilidade de aquilo ter caráter emocional.

  • Exames normais – você vai ao médico, faz exames de sangue ou imagem e não existe qualquer alteração.
  • Padrão de tempo – o sintoma piora visivelmente em períodos de estresse no trabalho, brigas familiares ou preocupações financeiras.
  • Resistência a tratamentos comuns – o remédio para o estômago ou para a dor de cabeça ajuda momentaneamente, mas o problema sempre volta.

É importante ressaltar que, ainda que o sintoma tenha fundo emocional, a dor e o dano ao corpo são reais. O tratamento ideal geralmente combina o alívio do sintoma físico (medicamentos) com o tratamento da causa mental (psicoterapia). Sempre busque a orientação de um profissional de saúde habilitado.

 

Fatores de risco

Qualquer pessoa pode sofrer com doenças que saem do emocional e atinge o corpo, ninguém está imune às doenças psicossomáticas, pois a conexão entre o cérebro e o resto do corpo é uma característica biológica da espécie humana.

Porém, alguns perfis e circunstâncias tornam certas pessoas mais vulneráveis a esse processo, fique atento para:

  • Ter o perfil centralizador ou perfeccionista, pois são pessoas que vivem em um estado constante de alerta. O nível de exigência interna mantém o corpo em modo de “crise” permanente, o que sobrecarrega o coração e o sistema imunológico.
  • Ter dificuldade de expressar emoções, lembrando que quando a emoção não é processada verbalmente ou conscientemente, o sistema nervoso busca outra via de saída.

A tensão acumulada acaba sendo descarregada em órgãos internos ou na pele. Tem até uma frase que diz: o que a boca cala, o corpo fala.

  • Profissionais em ambientes de alta pressão, que lidam com metas agressivas, prazos curtos ou grande responsabilidade.

O estresse crônico no trabalho impede que o corpo saia do modo de sobrevivência. Isso leva ao esgotamento físico, muitas vezes manifestado como o Burnout, que traz dores crônicas e problemas digestivos.

  • Quem passou por traumas ou estresse na infância, onde o cérebro pode ficar “programado” para reagir de forma exagerada a ameaças pequenas, mantendo o corpo inflamado e mais suscetível a doenças autoimunes na vida adulta.
  • Quando se é cuidador ou tem excesso de empatia, como quem cuida de parentes doentes ou que se envolve profundamente com os problemas dos outros.

O desgaste emocional se torna tão grande que o corpo começa a apresentar sinais de exaustão física real, como fraqueza e perda de memória.

 

Atenção: descansar não é perda de tempo; fique atendo aos limites do seu corpo, não espere a dor se torna insuportável; mantenha no presente, vivendo o agora, pois quem vive no futuro tem ansiedade, e quem foca no passado vive remoendo mágoas.

 

Cuide da saúde emocional

Prevenir que o descontrole emocional adoeça o corpo exige o que chamamos de investimento em si mesmo, para que conheça melhor seu funcionamento emocional e faça a higiene do sistema nervoso. Ter momentos de estresse e ansiedade é algo natural, mas é preciso saber controlar, e impedir que essas emoções fiquem represadas no organismo de forma a impactá-lo.

Aqui estão as estratégias principais divididas por pilares:

  • Atenção aos sinais de alerta – o corpo raramente adoece do nada; ele dá avisos sutis antes de uma crise maior.

Aprenda qual parte do seu corpo reage primeiro ao estresse (estômago, pescoço, sono, etc). Ao sentir o primeiro sinal ali, pare e pergunte: o que está acontecendo na minha vida hoje que está me sobrecarregando?

Nomeie as emoções, isso porquê estudos mostram que dar nome ao que você sente diminui a ativação da amígdala, que é a região do cérebro que dispara o estresse.

  • Descarregue a tensão – se o estresse é uma carga de energia química (adrenalina), você precisa de uma saída física para ela.

Atividade física regular não é só estética. O exercício queima o excesso de cortisol e libera endorfina, que atua como um analgésico natural para as dores psicossomáticas.

  • Aprenda a fazer a respiração diafragmática (aquela em que a barriga expande), ela ativa o nervo vago, que envia um sinal imediato ao cérebro dizendo que o perigo passou, baixando a frequência cardíaca.

Tenha um sono de qualidade, pois o corpo se cura emocionalmente durante o sono REM. Sem dormir, o limiar de tolerância ao estresse despenca.

  • Estabeleça limites – muitas doenças psicossomáticas surgem da dificuldade em dizer não ou de carregar responsabilidades alheias.

Filtre o excesso de informação, lembre-se que o consumo constante de notícias negativas ou comparação em redes sociais mantém o cérebro em estado de alerta.

Faça pausas programadas, não espere o colapso para descansar. O cérebro precisa de micro-pausas de cinco minutos a cada 90 minutos de trabalho para resetar a tensão.

  • Construa uma válvula de escape – a terapia é um excelente investimento. A psicoterapia ajuda a processar traumas e tensões antes que eles precisem se manifestar como sintomas físicos.

Tenha hobbies não-produtivos, que você faz apenas pelo prazer, sem cobrança de resultados.

E jamais se esqueça de beber água e manter rotina alimentar. Um corpo bem nutrido resiste melhor ao impacto emocional.

 

 

Fontes – Sociedade Brasileira e Inteligência Emocional; Portal Drauzio Varella; Casa do Saber; Portal Uol/Viva Bem; Tua Saúde; Jornal da USP; Afya Educação Médica; e Alta Diagnósticos.

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