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Leucodermia solar, ou sardas brancas, são comuns, mas é preciso ficar atento

A leucodermia solar, conhecida cientificamente como leucodermia gutata idiopática e, popularmente chamada de sardas brancas, é uma alteração benigna e muito comum na pele.

Ela é um sinal clássico do dano solar cumulativo ao longo dos anos, e se manifesta por pequenas manchas brancas, arredondadas e bem delimitadas, que ocorrem devido à perda localizada de pigmentação (melanina).

Mesmo não significando um grande risco para a saúde, é sempre bom ficar atento, especialmente se ela apresentar algum sintoma. 

Os fatores de risco para o desenvolvimento da leucodermia solar estão quase inteiramente ligados à exposição crônica à radiação ultravioleta e às características genéticas da pele.

Onde a exposição ao longo da vida é o fator de risco mais importante. A leucodermia solar é resultado do dano solar acumulado na pele por décadas de exposição desprotegida.

Não usar protetor solar, ou usá-lo de forma inadequada, permite que os raios UV danifiquem os melanócitos de forma irreversível.

Pessoas que trabalharam (ou trabalham) por longos períodos ao sol têm um risco significativamente maior.

Além disso, o risco aumenta progressivamente com a idade, sendo que a leucodermia solar é mais comum em indivíduos com mais de 40 anos, pois leva tempo para que o dano cumulativo se manifeste visivelmente.

Lembrando que, embora a exposição solar seja a causa primária, a tendência a desenvolver as manchas brancas pode ter um componente genético. 

Pessoas com histórico familiar de leucodermia solar podem ser mais propensas a manifestá-la, mesmo com exposição solar semelhante à de outras pessoas.

Por fim, pessoas com pele, olhos e cabelos claros são mais suscetíveis a apresentar o problema. Isso acontecer porque a pele clara tem menos melanina (o pigmento protetor) e, portanto, é mais vulnerável aos danos causados pela radiação UV.

Indivíduos que se queimam facilmente e têm dificuldade em se bronzear estão sob maior risco.

 

Sintomas da leucodermia solar

A leucodermia solar, por ser uma condição benigna e assintomática, não causa sintomas no sentido tradicional como dor, coceira ou febre.

Os sinais que a caracterizam são puramente visuais e físicos na pele, como: 

  • Tipo de mancha – brancas (hipopigmentadas) ou muito claras, que refletem a perda de melanina na área afetada.
  • Formato e tamanho – manchas pequenas, arredondadas (circulares) ou ovais, bem definidas (delimitadas). O tamanho típico varia de dois a seis milímetros (o tamanho de uma sarda ou de um grão de arroz).
  • Superfície da mancha – geralmente a superfície é lisa, mas em alguns casos, pode ser levemente atrófica (a pele parece um pouco mais fina ou deprimida) ou escamosa (com uma leve descamação).
  • Distribuição – as lesões são múltiplas (várias manchas na mesma área) e espalhadas.
  • Localização – aparecem tipicamente em áreas cronicamente expostas ao sol, como braços, antebraços e pernas (canelas), sendo menos frequentes na parte superior das costas e no rosto.
  • Evolução – as manchas surgem lentamente, são estáticas (não crescem significativamente nem se espalham pelo corpo como o vitiligo) e permanentes (não desaparecem sozinhas).

 

Se as manchas brancas estiverem acompanhadas de coceira, dor, descamação intensa ou se estiverem crescendo rapidamente, é provável que seja outra condição dermatológica como uma infecção fúngica, vitiligo ou outra doença e a avaliação de um dermatologista é fundamental.

 

Leucodermia solar e vitiligo

Uma dúvida muito comum é se a leucodermia solar é a mesma coisa que vitiligo, e a resposta é: não. 

Enquanto a leucodermia solar tem como principal causa o dano solar cumulativo, o vitiligo é uma doença autoimune.

As manchas da leucodermia solar são milimétricas e arredondadas, já no vitiligo elas podem ser grandes, com formato mais irregular.

Na leucodermia solar as manchas não crescem muito e não se espalham de forma significativa, e no vitiligo, podem crescer e se espalhar ao longo do tempo.

E, enquanto a leucodermia é uma condição benigna e estática, o vitiligo é uma condição autoimune, que requer acompanhamento médico.

 

Diagnóstico da leucodermia solar 

O diagnóstico da leucodermia solar é primariamente clínico, feito pelo dermatologista, que avalia o padrão de manchas brancas, pequenas, arredondadas e bem delimitadas nas áreas expostas ao sol. 

O histórico de exposição solar prolongada e a idade do paciente (geralmente acima dos 40 anos) reforçam o diagnóstico.

Em alguns casos, especialmente para diferenciar a leucodermia solar de outras condições, o médico pode usar a lâmpada de wood (luz ultravioleta de onda longa), que não costuma realçar as manchas de leucodermia solar, o que ajuda a descartar outras condições que brilham sob essa luz.

O dermatoscópio (um microscópio manual para a pele) pode ser usado para examinar a estrutura das manchas e confirmar a ausência de melanócitos funcionais. 

Isso ajuda a diferenciá-la de lesões pré-cancerosas ou cancerosas que, embora raras, devem ser descartadas.

 

Tratamento da leucodermia solar 

É fundamental entender que a leucodermia solar é uma condição benigna e estética. O tratamento é procurado principalmente por razões cosméticas, pois as manchas não representam risco à saúde.

O objetivo do tratamento é tentar repigmentar as áreas brancas, estimulando os melanócitos remanescentes ou ativando melanócitos da pele circundante.

Os tratamentos mais procurados são invasivos, mas eficazes na repigmentação:

  • Crioterapia leve – aplicação rápida de nitrogênio líquido na mancha. O congelamento superficial pode causar uma leve inflamação, o que estimula os melanócitos a voltarem a produzir melanina e repigmentar a área. 

É importante ser uma aplicação muito breve para evitar hipopigmentação (manchas mais brancas) ao redor.

  • Microagulhamento com drug delivery – o microagulhamento cria microperfurações nas manchas para estimular a regeneração da pele. 

E o drug delivery é uma aplicação de substâncias (como corticoides ou análogos de prostaglandina) que ajudam a induzir a repigmentação, sendo infundidas diretamente na área lesada através dos microcanais abertos.

  • Peelings químicos – o uso de ácidos na mancha pode promover uma leve inflamação e renovação celular, estimulando a pigmentação.
  • Lasers e luz intensa pulsada (LIP) – certos tipos de laser (como os ablativos) podem ser usados para raspar a camada superficial da pele, estimulando a repigmentação.
  • Tretinoína tópica – cremes à base de tretinoína podem ser usados para esfoliar a pele, mas a eficácia é variável e o uso deve ser supervisionado.

 

Vale destacar que o tratamento da leucodermia solar pode ser desafiador e requer paciência. Raramente se consegue a repigmentação de 100% das manchas, mas os resultados estéticos costumam ser satisfatórios para a maioria dos pacientes.

 

Prevenção da leucodermia solar

A prevenção da leucodermia solar é extremamente importante, pois a condição é um sinal de dano solar crônico e acumulado, sendo um lembrete para proteger a pele contra problemas mais sérios, como o câncer de pele.

A prevenção se concentra em minimizar a exposição desprotegida à radiação ultravioleta (UV) ao longo da vida. Para isso: 

  • Faça uso diário e rigoroso do protetor solar de amplo espectro (que proteja contra raios UVA e UVB) com Fator de Proteção Solar (FPS) 30 ou superior.

Aplique o protetor em todas as áreas expostas do corpo, especialmente nos braços, pernas e costas, que são as regiões onde a leucodermia solar mais se manifesta.

Reaplique o produto a cada duas a três horas de exposição solar direta ou após nadar/suar.

Faça do uso do protetor um hábito diário, mesmo em dias nublados ou durante o inverno.

  • Minimize a exposição solar entre 10h e 16h, quando a intensidade da radiação UV é máxima e o risco de dano celular é maior. 

Busque sempre por sombras, priorizando atividades sob toldos, guarda-sóis, ou áreas sombreadas.

  • Invista em barreiras físicas, use roupas que cubram as áreas de maior risco, como camisas de manga comprida e calças longas, principalmente se for passar muito tempo ao ar livre.

Considere o uso de roupas com Fator de Proteção Ultravioleta (FPU) para atividades prolongadas.

Use chapéus de aba larga (para proteger rosto e pescoço) e óculos de sol com proteção 100% contra UVA/UVB.

  • Evite o bronzeamento artificial, pois as câmaras de bronzeamento emitem alta radiação UV, causando dano celular intenso e acelerando o aparecimento de sinais de fotoenvelhecimento, como a leucodermia solar, além de aumentar significativamente o risco de câncer de pele.

Ao adotar essas medidas de forma consistente, você não apenas previne o surgimento de novas manchas de leucodermia solar, mas também protege sua pele contra o envelhecimento precoce e, o mais importante, contra o câncer de pele.

 

Fontes – Sociedade Brasileira de Dermatologia; Tua Saúde; Revista Saúde; Dermatologia e Saúde; ABC Med; e Viva Bem Uol.

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