Obesidade infantil é o excesso de gordura corporal em crianças, que pode afetar sua saúde e desenvolvimento. É quando o peso da criança está muito acima do considerado saudável para sua idade e altura.
Ela pode ser identificada por meio do IMC (Índice de Massa Corporal) para a idade, usando tabelas específicas para crianças.
A obesidade infantil tem sido apontada como uma condição crônica que pode trazer riscos à saúde física e emocional.
No Brasil, em 2021, o Ministério da Saúde informou que a obesidade atingia 3,1 milhões de crianças menores de 10 anos. Além disso, 6,4 milhões de crianças apresentavam sobrepeso.
Outro dado alarmante é que 14,2% das crianças com menos de 05 anos apresentam excesso de peso ou obesidade, enquanto a média global é de 5,6%.
E 33% dos adolescentes, entre 10 e 19 anos, estão com sobrepeso ou obesidade, comparado à média mundial de 18,2%.
Estudos apontam projeções preocupantes para 2035, onde estima-se que 41% da população adulta brasileira será obesa.
A obesidade infantil é preocupante porque aumenta o risco de problemas de saúde, como diabetes tipo 2, pressão alta, doenças cardíacas e problemas nas articulações.
Também pode levar a dificuldades respiratórias, distúrbios do sono, além de impactar a autoestima e o bem-estar psicológico da criança.
E como mostrado da projeção, muitas crianças obesas tendem a continuar com sobrepeso na vida adulta.
Fatores de risco da obesidade infantil
Os fatores de risco da obesidade infantil são variados podendo estar ligados à genética, questões comportamentais, psicológicas, entre outras. Entre elas estão:
- Alimentação inadequada, com consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar, gordura e ultraprocessados, além da baixa ingestão de frutas, verduras e alimentos naturais.
- Sedentarismo, com pouca atividade física e excesso de tempo em frente a telas (TV, celular, videogames).
- Histórico familiar, onde pais obesos ou com problemas metabólicos aumentam o risco para a criança.
- Fatores socioeconômicos, com acesso limitado a alimentos saudáveis e espaços para praticar atividades físicas.
- Sono inadequado, pois dormir pouco pode interferir nos hormônios que regulam o apetite e o metabolismo.
- Ambiente familiar onde hábitos alimentares e estilo de vida da família influenciam diretamente a criança.
- Fatores psicológicos como estresse, ansiedade e problemas emocionais podem levar ao consumo excessivo de comida.
Sintomas da obesidade infantil
Fique atento aos principais sintomas e sinais da obesidade infantil e, havendo necessidade, busque orientação de um profissional da saúde.
- Excesso de peso em relação à altura e idade (avaliado pelo Índice de Massa Corporal – IMC).
- Acúmulo visível de gordura corporal em diferentes partes do corpo, especialmente abdômen, braços, pernas e rosto.
- Dificuldade para realizar atividades físicas simples devido ao cansaço rápido.
- Falta de fôlego ao fazer esforços leves ou moderados.
- Problemas articulares ou dores nas pernas.
- Alterações emocionais, como baixa autoestima, isolamento social e ansiedade
- Em alguns casos, podem surgir problemas de saúde associados, como sinais de pressão alta, resistência à insulina e alterações no colesterol.
Diagnóstico e tratamento da obesidade infantil
Apenas um especialista pode diagnosticar casos de obesidade infantil. Em geral ele faz uma avaliação do IMC, que relaciona peso e altura, e comparar com tabelas específicas para idade e sexo da criança.
Também existe uma avaliação clínica completa, onde o médico pesquisa o histórico familiar, hábitos alimentares, rotina de atividades físicas e possíveis problemas de saúde associados.
A partir disso podem ser solicitados exames laboratoriais para avaliar glicemia, colesterol, função hepática e outras condições relacionadas.
Sendo constatado que há obesidade infantil, em com base com quadro geral da criança, é indicado o melhor tratamento, que pode envolver uma série de ações, entre elas:
Mudanças no estilo de vida
Adotar uma alimentação saudável, equilibrada e rica em frutas, verduras e alimentos naturais.
Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas.
Incentivar a prática regular de atividade física adequada à idade da criança.
Apoio psicológico
Onde se investe na ajuda para lidar com questões emocionais, autoestima e motivação para mudanças.
Envolvimento familiar
A família deve apoiar e participar das mudanças de hábitos para garantir melhores resultados.
Acompanhamento médico regular
Para monitorar o progresso, ajustar orientações e tratar possíveis complicações.
Em situações mais severos, pode ser necessário o acompanhamento com endocrinologista, nutricionista e outros especialistas.
Doenças relacionadas com a obesidade infantil
A obesidade infantil não deve ser vista apenas como um problema estético, mas como um fator que impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida da criança.
Ela pode estar relacionada a várias doenças que impactam a saúde da criança, tanto no presente quanto no futuro. Veja as principais e o que podem causar.
- Diabetes tipo 2 – resistência à insulina, que pode levar ao desenvolvimento de diabetes, causando problemas graves como danos aos rins, visão e circulação.
- Hipertensão arterial (pressão alta) – pode causar danos ao coração e vasos sanguíneos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
- Dislipidemias (alterações no colesterol e triglicerídeos) – podem causar acúmulo de gordura nas artérias, aumentando o risco de infartos e AVC no futuro.
- Apneia do sono – interrupções na respiração durante o sono, que levam à má qualidade do descanso e problemas no desenvolvimento.
- Doenças ortopédicas – sobrecarga nas articulações, causando dores e problemas na coluna, quadris e joelhos.
- Doenças hepáticas – acúmulo de gordura no fígado que pode evoluir para inflamação e problemas hepáticos.
- Problemas psicológicos – baixa autoestima, ansiedade, depressão e isolamento social devido ao estigma e bullying.
- Síndrome metabólica – conjunto de fatores de risco que aumentam as chances de doenças cardíacas, diabetes e AVC.
Prevenção da obesidade infantil
A prevenção da obesidade infantil é algo que exige o comprometimento de toda a família, para incentivar hábitos saudáveis.
Lembrando sempre que crianças aprendem pelo exemplo, ou seja, se os pais têm alimentação desregrada e é sedentária, será muito difícil que os filhos sejam saudáveis.
Para investir na prevenção da obesidade infantil é preciso:
- Investir em uma alimentação saudável desde cedo, oferecendo alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais.
- Evitar alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, sal e gordura.
- Incentivar a prática regular de atividades físicas como brincadeiras ao ar livre, esportes e exercícios adaptados à idade da criança.
- Limitar o tempo em frente a telas, reduzindo o uso de TV, celulares, tablets e videogames, incentivando outras formas de lazer.
- Garantir um sono adequado, onde se cria uma rotina que respeite a necessidade da criança (geralmente 9 a 12 horas por noite, dependendo da idade).
- Promover hábitos saudáveis para todos, criando um ambiente favorável para a criança.
- Explicar, de forma simples, a importância de escolhas saudáveis e da atividade física.
Fontes – Sociedade Brasileira de Pediatria; Blog Sabin; Fundação Abrinq; Portal UOL; Portal G1; e Sociedade Brasileira de Diabetes.
