Zoonoses são doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos. No Brasil, são várias de grande relevância para a saúde pública, devido à biodiversidade e aos diferentes ecossistemas.
Saiba mais sobre as principais zoonoses do Brasil.
Leptospirose
- A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente ratos. Comum em áreas urbanas com enchentes.
- Os sintomas da leptospirose em humanos incluem: febre alta repentina, dor de cabeça intensa, dores musculares, especialmente nas panturrilhas, calafrios, náuseas e vômitos, olhos vermelhos, icterícia (pele e olhos amarelados) em casos graves, e sangramentos e insuficiência renal em formas graves.
- Em animais (cães, bovinos, suínos, roedores, entre outros), os sinais de uma contaminação da leptospirose incluem: febre, apatia e fraqueza, perda de apetite, vômitos e diarreia, icterícia (pele e mucosas amareladas), dificuldade para respirar, aumento da sede e urina em excesso, abortos em fêmeas gestantes e dores musculares e articulares
Raiva
- A raiva é uma doença viral transmitida pela mordida ou arranhadura de animais infectados, principalmente cães, morcegos e outros mamíferos.
- Os principais sintomas de raiva em humanos são: febre e mal-estar inicial; dor, formigamento ou coceira no local da mordida; ansiedade, agitação e confusão mental; espasmos musculares, dificuldade para engolir (hidrofobia); paralisia progressiva; coma e morte se não tratada rapidamente.
- Em animais (cães, gatos, morcegos, bovinos, equinos, entre outros), alguns sinais de contaminação pela raiva são: mudança de comportamento (agressividade ou apatia), salivação excessiva (espuma na boca), dificuldade para engolir, paralisia progressiva, convulsões e morte rápida após o início dos sintomas.
Doença de Chagas
- A doença de Chagas é uma zoonose causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitida pelo barbeiro (inseto vetor) ou por ingestão de alimentos contaminados.
- Em humanos, a doença de Chagas se apresenta com os seguintes sintomas: na fase aguda – febre, mal-estar, inchaço no local da picada (sinal de Romaña); inchaço dos olhos, gânglios aumentados; dores musculares e articulares; náuseas, vômitos e diarreia; em fases crônicas – pode causar problemas cardíacos e digestivos graves.
- A doença de Chagas em animais (cães, gatos, cavalos, bovinos, marsupiais) costuma apresentar sintomas como: fraqueza e apatia, perda de peso, dificuldade respiratória, aumento do volume abdominal, alterações cardíacas (arritmias, insuficiência cardíaca), e pode até mesmo ser assintomática em muitos casos.
Leishmaniose
- A leishmaniose pode ser visceral ou cutânea, causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada do mosquito-palha.
- A leishmaniose, quando contamina humanos, apresenta diferentes sintomas, como: cutânea – feridas na pele que não cicatrizam, úlceras com bordas elevadas; ou visceral – febre prolongada, perda de peso, anemia, aumento do fígado e baço, fraqueza.
- A leishmaniose em animais afeta especialmente cães, que apresentam sinais como: perda de peso progressiva, lesões na pele (feridas, descamação, alopecia), crescimento exagerado das unhas, inchaço dos linfonodos, febre intermitente, diarreia e vômitos, fraqueza e cansaço, anemia e sangramentos em casos avançados.
Febre maculosa
- A febre maculosa é uma doença bacteriana transmitida por carrapatos infectados.
- Os sintomas comuns da febre maculosa em humanos são: febre alta súbita; dor de cabeça intensa, dor muscular e nas articulações; náuseas, vômitos; manchas vermelhas na pele, que podem se espalhar; confusão mental e sinais neurológicos em casos graves.
- Em animais (cães, cavalos e outros mamíferos que podem ser parasitados por carrapatos), os sintomas comuns de febre maculosa são: febre alta, letargia e apatia, dificuldade de locomoção, vômitos, sangramentos e manchas roxas na pele (em casos graves), anorexia, edema e inflamação no local da picada do carrapato.
Tratamentos das zoonoses
Existem tratamentos para as cinco principais zoonoses do Brasil, porém, o tipo e a eficácia variam conforme a doença e o estágio em que ela é diagnosticada.
O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são essenciais para aumentar as chances de cura e evitar complicações graves dessas doenças.
Sempre procure atendimento médico ao apresentar sintomas suspeitos ou após exposição a fatores de risco.
Veja como é feito o tratamento em humanos.
- Leptospirose – usa antibióticos para combater a bactéria Leptospira; e conta com duidados de suporte como hidratação intravenosa, controle de eletrólitos, suporte renal e respiratório em casos graves.
- Raiva – a profilaxia pós-exposição (PEP) é fundamental com a limpeza imediata e rigorosa do ferimento com água e sabão; e aplicação da vacina antirrábica e imunoglobulina antirrábica conforme protocolo, mesmo antes de sintomas.
Após a apresentação dos sintomas o quadro se torna especialmente preocupante, pois infelizmente, a raiva é quase sempre fatal e o tratamento costuma ser paliativo.
- Doença de Chagas – são usadas medicações antiparasitárias para eliminar o Trypanosoma cruzi, principalmente na fase aguda e para tentar controlar a doença crônica.
Se houver complicações o tratamento pode incluir suporte cardíaco (marcapasso, medicamentos para insuficiência cardíaca) e cirurgia para problemas digestivos.
- Leishmaniose – quando cutânea, os antimoniais pentavalentes são o tratamento padrão. Para a visceral são indicados antimoniais, anfotericina B lipossomal e miltefosina.
Para os casos graves é indicado o tratamento hospitalar. E o suporte clínico é feito para o controle de sintomas e prevenção de infecções secundárias.
- Febre Maculosa – o tratamento inclui uso de antibiótico, que deve ser iniciada precocemente para reduzir mortalidade e complicações. Os cuidados de suporte incluem hidratação, controle da febre, suporte em casos graves.
Veja como é feito o tratamento em animais.
- Leptospirose – são indicados antibióticos para eliminar a bactéria Leptospira. Os cuidados de suporte incluem hidratação, controle de eletrólitos e tratamento de complicações renais ou hepáticas.
A vacinação é importante para prevenção em cães e bovinos.
- Raiva – não existe tratamento eficaz para animais com raiva sintomática. Animais com suspeita de contaminação devem ser isolados e monitorados conforme legislação.
A vacinação anual é obrigatória em cães e gatos para controle da doença.
- Doença de Chagas – embora o tratamento seja tido como pouco eficaz em animais, pode-se usar medicamentos antiparasitários, mas não há protocolos amplamente estabelecidos.
É preciso investir no controle do vetor (barbeiro), manejo clínico de sintomas e suporte nutricional.
- Leishmaniose – o tratamento em cães inclui antimoniais pentavalentes, miltefosina, alopurinol e terapia combinada, para reduzir parasitas e sintomas.
É importante ter o controle do vetor (mosquito-palha), uso de repelentes e manejo clínico. Existem vacinas disponíveis para prevenção em cães, embora não sejam 100% eficazes.
- Febre maculosa – antibióticos são usados para tratar animais infectados.
É preciso fazer o controle de carrapatos por meio de carrapaticidas e higiene ambiental. Uma forma de prevenção é evitar áreas infestadas por carrapatos e inspeção regular dos animais.
Lembrando que, o acompanhamento veterinário é essencial para diagnóstico, tratamento adequado e prevenção.
Evite a contaminação por zoonoses
Prevenir a transmissão de doenças dos animais para os humanos é fundamental para proteger a saúde de toda a família.
Acompanhe as principais medidas para evitar contaminações por zoonoses.
Cuidados com os animais domésticos:
- Mantenha as vacinas dos pets sempre em dia, especialmente contra raiva.
- Faça controle regular de parasitas (pulgas, carrapatos, vermes).
- Leve seu animal ao veterinário regularmente para check-ups.
- Evite o contato com animais doentes ou desconhecidos.
- Não permita que animais lambam feridas abertas ou mucosas.
Higiene pessoal e do ambiente:
- Lave sempre as mãos com água e sabão após contato com animais, fezes, urina ou ambientes que eles frequentam.
- Limpe regularmente locais onde os animais ficam, como camas, caixas de areia e brinquedos.
- Evite contato direto com fezes e urina dos animais.
- Cozinhe bem os alimentos de origem animal para eliminar agentes infecciosos.
- Evite o consumo de leite não pasteurizado ou produtos crus de origem animal.
Prevenção contra vetores:
- Use repelentes e mantenha ambientes livres de mosquitos, carrapatos e pulgas.
- Use telas em janelas e portas para evitar entrada de insetos.
- Evite acúmulo de água parada para diminuir a proliferação de mosquitos.
Cuidados com animais silvestres e exóticos:
- Evite contato direto com animais silvestres ou exóticos.
- Não alimente ou toque em animais encontrados na natureza.
- Em áreas de risco, use roupas protetoras e calçados fechados.
Educação e conscientização:
- Informe-se sobre as zoonoses mais comuns na sua região.
- Ensine crianças a respeitar os animais e a importância da higiene.
- Procure atendimento médico ao suspeitar de sintomas após contato com animais.
Fonte – Tua Saúde; Blog Sabin; Biblioteca Virtual em Saúde; Summit Saúde – Estadão; National Geographic; Rede D’Or; Fiocruz; e MD Saúde.
