O colesterol é uma substância cerosa e gordurosa que está presente em todas as células do corpo e desempenha várias funções importantes, sendo essencial para a estrutura e fluidez das membranas celulares, ajudando a manter a integridade das células.
Ele é, também, o precursor de hormônios essenciais, como os hormônios sexuais (estrogênio e testosterona) e os corticosteroides, que são fundamentais para muitas funções corporais.
Uma coisa que poucos sabem é que o colesterol é necessário para a síntese da vitamina D, que desempenha um papel crucial na saúde óssea e no metabolismo do cálcio.
E mais, o colesterol é convertido em ácidos biliares no fígado, que são importantes para a digestão e absorção de gorduras.
O colesterol é transportado no sangue por lipoproteínas:
- LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade) – popularmente conhecido como colesterol “ruim”. Onde seus altos níveis estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, pois podem se acumular nas paredes das artérias.
- HDL (Lipoproteína de Alta Densidade) – apontado como colesterol “bom”. Ele ajuda a remover o colesterol das artérias, transportando-o de volta ao fígado para ser eliminado ou reciclado.
Por isso é preciso estar atento para que as taxas estejam equilibradas, pois, se elas ficam muito fora de controle, podem significa riscos grandes para a saúde.
Quando o LDL se acumula, formando placas, temos a condição chamada aterosclerose, que pode estreitar os vasos sanguíneos e dificultar o fluxo sanguíneo, aumentando o risco de doenças cardíacas e derrames.
Também existe um risco aumentado da obstrução das artérias coronárias, o que pode levar a um infarto do miocárdio (ataque cardíaco).
Da mesma forma, se um coágulo se formar devido à ruptura de uma placa aterosclerótica, pode causar um acidente vascular cerebral (AVC), que pode ser fatal.
Por outro lado, níveis baixos de HDL podem aumentar o risco cardiovascular, pois o corpo terá menos capacidade de eliminar o colesterol excessivo.
O monitoramento regular dos níveis de colesterol permite detectar anormalidades precocemente e fazer intervenções que poderão ajudar a controlar esses níveis e, assim, reduzir o risco de complicações graves.
Estudos indicam que cerca de 60% da população adulta brasileira apresenta colesterol total elevado (acima de 200 mg/dL).
Os níveis de referência desejados são:
- colesterol total: desejável abaixo de 200 mg/dL;
- LDL: desejável abaixo de 100 mg/dL;
- HDL: desejável acima de 60 mg/dL; e
- triglicerídeos: desejável abaixo de 150 mg/dL.
Colesterol e fatores de risco
São vários os fatores de risco para níveis elevados de colesterol, entre eles vale destacar:
- Consumo excessivo de gorduras saturadas e trans, encontradas em alimentos processados, frituras e carnes gordurosas.
- Sedentarismo, onde a falta de atividade física pode contribuir para o aumento do colesterol LDL e a diminuição do HDL.
- O excesso de peso está associado a níveis mais altos de colesterol LDL e menores de HDL.
- O risco aumenta com a idade, especialmente após os 45 anos para homens e 55 anos para mulheres.
- Histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardíacas pode aumentar o risco. Condições genéticas como a hipercolesterolemia familiar podem levar a níveis muito altos de colesterol desde a infância.
- Fumar reduz os níveis de HDL e danifica as paredes dos vasos sanguíneos, aumentando o risco cardiovascular.
- Altos níveis de açúcar no sangue (diabetes) podem contribuir para níveis elevados de LDL e baixos níveis de HDL.
- Pressão alta pode estar relacionada a níveis elevados de colesterol e a um maior risco de doenças cardiovasculares.
- Estresse crônico pode influenciar o comportamento alimentar e levar a uma dieta não saudável, além de afetar a saúde cardiovascular de outras formas.
Colesterol traz sintomas?
De forma geral, o colesterol elevado não apresenta sintomas diretos, o que torna difícil identificá-lo sem exames médicos. Porém, alguns sinais podem estar associados a complicações resultantes do colesterol alto.
Fique atento para:
- Dor no peito, que pode indicar problemas cardíacos devido à aterosclerose, onde as artérias estão bloqueadas ou estreitadas pelo acúmulo de placas de colesterol.
- Falta de ar, especialmente ao realizar atividades físicas, pode ser um sinal de problemas cardíacos.
- Fadiga, onde sentir-se constantemente cansado pode ser um sintoma de doenças cardíacas associadas.
- Dores nas pernas podem ocorrer durante atividades físicas, indicando que o fluxo sanguíneo para os membros está comprometido, o que pode ser um sinal de arteriosclerose.
- Xantelasma, as pequenas manchas amarelas na pele, geralmente na área ao redor dos olhos, podem indicar colesterol alto, embora não estejam presentes em todos os casos.
- Arco Corneal, que é um anel branco ou cinza na borda da córnea (olho), pode ser um sinal de níveis elevados de colesterol.
Não espere aparecer qualquer sinal, siga uma rotina de exames preventivos de acordo com a orientação do seu médico.
O diagnóstico de níveis elevados de colesterol é geralmente realizado através de um exame de sangue simples, conhecido como lipidograma ou perfil lipídico, onde são medidos os seguintes componentes:
- colesterol total – soma do colesterol HDL, LDL e de outras frações;
- colesterol LDL (“ruim”) – que pode se acumular nas artérias;
- colesterol HDL (“bom”) – que ajuda a remover o excesso de colesterol do corpo; e
- triglicerídeos – outro tipo de gordura no sangue que pode contribuir para problemas cardiovasculares.
É recomendado que adultos façam esse exame regularmente, especialmente após os 20 anos, e mais frequentemente se houver fatores de risco.
Tratamento do colesterol
O tratamento do colesterol inclui mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos, que podem reverter o quadro. Lembre-se que, a indicação de remédios deve ser feita por um médico que acompanha seu quadro geral de saúde e poderá avaliar o mais indicado para seu caso.
Algumas mudanças no estilo de vida envolvem:
- Reduzir a ingestão de gorduras saturadas e trans. Incluir fontes de gordura saudável, como azeite de oliva, abacate e peixes ricos em ômega-3.
- Aumentar o consumo de frutas, vegetais, grãos integrais e fibras.
- Praticar atividades físicas regularmente (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana) pode ajudar a aumentar os níveis de HDL e a reduzir o LDL.
- Parar de fumar pode melhorar os níveis de HDL e a saúde cardiovascular geral.
Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, o médico costuma prescrever medicamentos como estatinas, inibidores da absorção de colesterol ou resinas sequestrantes de ácidos biliares.
Também é importante realizar acompanhamentos regulares para avaliar a eficácia das intervenções e ajustar o tratamento, se necessário.
Prevenção do colesterol
A prevenção de níveis elevados de colesterol, e das doenças cardiovasculares associadas, envolve a adoção de hábitos saudáveis e mudanças no estilo de vida, assim como acontece quando é indicado um tratamento para reequilibrar as taxas.
Selecionamos algumas dicas que poderão ajudá-lo a ter uma vida mais saudável e longe do colesterol.
- Aumente o consumo de fibras com frutas, vegetais, grãos integrais e leguminosas, que ajudam a reduzir os níveis de colesterol.
- Escolha gorduras saudáveis como azeite de oliva e abacate e reduza a ingestão de gorduras saturadas e trans.
- Consuma peixes ricos em ômega-3, como salmão e sardinha, que podem ajudar a melhorar a saúde do coração.
- Evite alimentos processados e ricos em açúcar e gordura trans, comuns em lanches, frituras, bolachas, embutidos, entre outros.
- Realize pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana (como caminhada, corrida, natação ou ciclismo) para ajudar a aumentar o HDL e reduzir o LDL.
- A perda de peso, mesmo que moderada, pode melhorar os níveis de colesterol e a saúde cardiovascular.
- Pare de fumar para reduzir o risco cardiovascular.
- Se você beber, faça-o com moderação, já que o consumo excessivo pode aumentar os níveis de colesterol e levar a outros problemas de saúde.
- Monitore seus níveis de colesterol, com exames de rotina, para detectar e gerenciar problemas precocemente.
- Gerencie o estresse investindo em técnicas de relaxamento, como meditação, yoga e respiração profunda, podem ajudar a manter a saúde do coração.
- Invista o conhecimento, pois saber os fatores de risco torna mais fácil controlá-los.
Fontes – Biblioteca Virtual em Saúde; Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; Hospital Sírio-Libanês; Minha Vida; Tua Saúde; CNN Brasil; e Sociedade Brasileira de Cardiologia.
