Como o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta” a Sociedade Brasileira de Nefrologia realizou mais uma edição da campanha do Dia Mundial do Rim com o propósito de conscientizar a população sobre as doenças renais e promover a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Em diversas regiões do Brasil e do mundo, persistem barreiras que impedem milhares de pessoas de receber o tratamento de que necessitam. Estima-se que, apenas no Brasil, cerca de 50 mil pessoas com doença renal crônica morram anualmente antes de terem acesso à diálise ou ao transplante.
A doença renal crônica (DRC) é um grande e crescente desafio global de saúde, afetando um em cada 10 pessoas em todo o mundo. Frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais, a DRC pode progredir despercebida até causar graves consequências à saúde, impactando profundamente indivíduos, famílias e comunidades.
A doença aumenta significativamente o risco de complicações cardiovasculares, reduz a qualidade de vida e pode evoluir para insuficiência renal, onde a sobrevivência depende de terapias de substituição renal que mantêm a vida, como diálise ou transplante.
Sua carga é distribuída de forma desigual, afetando desproporcionalmente as populações desfavorecidas e exacerbando as desigualdades em saúde existentes.
A detecção precoce pode salvar vidas. Testes simples, não invasivos e econômicos, por meio de exames de sangue e urina, podem identificar disfunções renais, permitindo intervenções oportunas que retardam a progressão da doença.
A segmentação de populações de alto risco – pessoas com diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade ou histórico familiar de doença renal – é altamente eficaz.
A detecção precoce da DRC não apenas preserva a função renal, mas também reduz a necessidade de tratamentos que exigem muitos recursos e melhora os resultados a longo prazo.
Os riscos relacionados com o clima – poluição atmosférica, estresse térmico, desidratação e fenomenos meteorológicos extremos – agravam os riscos da DRC e aceleram a sua progressão.
O aumento das temperaturas globais também alimenta a propagação de doenças tropicais que podem danificar os rins.
Ao mesmo tempo, os tratamentos para a doença renal terminal, em particular a diálise, são intensivos em recursos: requerem grandes volumes de água, energia e plásticos de utilização única, e geram emissões de gases com efeito de estufa.
Uma única sessão de hemodiálise pode ter uma pegada de carbono equivalente a conduzir um carro durante quase 240 quilómetros. Isto cria um ciclo de retroalimentação: a doença renal e as alterações climáticas agravam-se mutuamente.
Fatores de risco para problemas renais
Muitas vezes, a perda de função renal só é percebida quando já restam menos de 20% da capacidade total. Por isso, conhecer os fatores de risco é como ter um mapa para evitar um desastre.
Os principais vilões da saúde renal são divididos em três grupos:
- Causas primárias (doenças de base), onde estes dois fatores respondem pela grande maioria dos casos de falência renal no mundo.
O excesso de glicose no sangue danifica os minúsculos vasos sanguíneos (glomérulos) que filtram os resíduos. É a causa número um de necessidade de diálise.
A pressão elevada “esmaga” os filtros renais, fazendo com que eles percam a capacidade de selecionar o que deve ficar no sangue e o que deve sair na urina.
- Estilo de vida e hábitos, onde o excesso de peso exige que os rins trabalhem muito mais para filtrar o sangue de um corpo maior (hiperfiltração), o que causa um desgaste precoce.
Já o cigarro prejudica o fluxo sanguíneo em todo o corpo, inclusive nos rins, além de aumentar o risco de câncer renal.
O consumo excessivo de sal e alimentos ultraprocessados sobrecarrega o sistema de filtragem.
E quem bebe pouca água constantemente mantém os rins sob estresse e aumenta o risco de cálculos e infecções.
- Fatores clínicos e medicamentosos, onde ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno são “venenos” para os rins se usados sem controle, pois reduzem drasticamente o fluxo sanguíneo renal.
Se a pessoas tem parentes de primeiro grau com doença renal, o risco é maior devido à genética.
Naturalmente, após os 40 anos, os rins perdem cerca de 1% de sua função ao ano.
Cálculos renais frequentes ou infecções urinárias de repetição podem causar cicatrizes nos rins, prejudicando sua função a longo prazo.
Se você é diabético ou hipertenso, o controle dessas doenças é a melhor forma de proteger seus rins.
Mantenha o exame de creatinina e de urina em dia (pelo menos uma vez ao ano).
Sintomas de que seu rim pode estar doente
Os rins são mestres em trabalhar em silêncio. Muitas vezes, eles só começam a gritar por socorro quando a função já está bastante comprometida.
Por isso, é fundamental não ignorar sinais que parecem desconectados, mas que são alertas claros do seu sistema de filtragem. Atenção para:
- Se ao urinar você nota uma espuma densa que não desaparece (como a de um ovo batido), pode ser sinal de proteinúria (perda de proteína), o que indica que os filtros do rim estão “furados”.
- Urina muito escura (cor de chá ou Coca-Cola) ou com presença visível de sangue.
- Sentir necessidade de urinar muito mais vezes à noite (nictúria) ou, pelo contrário, perceber que está urinando quase nada, apesar de beber água.
- Inchaço que deixa marca nas pernas e tornozelos, quando são pressionados com o dedo.
- É muito comum acordar com o rosto e a região dos olhos “fofos” ou inchados pela manhã.
- Os rins produzem um hormônio chamado eritropoetina, que avisa o corpo para fabricar glóbulos vermelhos (que carregam oxigênio). Se o rim falha, você produz menos glóbulos vermelhos, desenvolvendo anemia. Com isso se sente cansado, sem fôlego para pequenas tarefas e com frio constante.
- Quando os rins não filtram o sangue, resíduos e minerais (como o fósforo) começam a se acumular nos tecidos, causando coceira persistente e profunda, que não melhora com cremes hidratantes, pois o problema é “interno”.
- O acúmulo de toxinas no sangue (uremia) altera o paladar, deixando um gosto de metal na boca. O hálito pode ficar com um cheiro semelhante a amônia ou urina. Náuseas e vômitos matinais também são comuns.
- A dor nos rins costuma ser aguda e intensa, localizada abaixo das costelas (geralmente de um lado só). Se for uma dor constante, pode ser pedra nos rins ou uma infecção (pielonefrite). Dores crônicas na lombar baixa costumam ser musculares ou da coluna.
Se você notar dois ou mais desses sintomas, especialmente se tiver pressão alta ou diabetes, procure um clínico geral ou nefrologista para um exame de creatinina no sangue. É um teste simples que salva vidas.
Cuide da saúde dos seus rins
Cuidar dos rins é, em grande parte, uma tarefa de prevenção silenciosa. Como eles são órgãos discretos, muitas vezes só dão sinais de problema quando já perderam boa parte da sua função.
Veja as dicas para cuidar bem da saúde dos seus rins.
- A água ajuda os rins a remover resíduos do sangue através da urina. Sem ela, as toxinas se concentram e podem formar cristais (pedras).
Para ajudar seus rins, não beba água apenas quando tiver sede; mantenha um fluxo constante ao longo do dia.
- O excesso de sal é o inimigo número um da pressão arterial, e a pressão alta é a principal causa de falência renal. O sódio faz o corpo reter líquidos, o que aumenta a pressão nos pequenos vasos sanguíneos dentro dos rins (glomérulos), danificando-os permanentemente.
Para ajudar os rins, evite temperos prontos, embutidos e enlatados. Use ervas naturais para dar sabor à comida.
- Medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno podem ser tóxicos para os rins se usados com frequência ou sem orientação. Eles reduzem o fluxo de sangue para os rins e seu uso crônico, sem acompanhamento, pode causar insuficiência renal aguda ou crônica
Para ajudar os seus rins, nunca se automedique para dores crônicas; prefira analgésicos simples (como paracetamol) sob orientação ou trate a causa da dor.
- O diabetes é a segunda maior causa de doenças renais no mundo. O excesso de açúcar no sangue “endurece” e danifica os filtros dos rins ao longo dos anos (nefropatia diabética).
Para ajudar os seus rins, mantenha seus exames de glicose em dia. Se você já tem diabetes, o controle rigoroso é o que salvará seus rins no futuro.
- Para quem já tem alguma predisposição ou problema renal, o excesso de proteína (especialmente suplementos como Whey e muita carne vermelha) pode sobrecarregar o órgão. A digestão da proteína gera ureia e outros resíduos que os rins precisam se esforçar mais para filtrar.
Para ajudar os seus rins, se você treina pesado e consome muita proteína, a hidratação deve ser dobrada.
Cuide dos seus rins indo ao seu médico anualmente e pedindo dois exames básicos que dizem quase tudo sobre os órgãos:
- Creatinina no sangue, para calcular a taxa de filtração dos rins.
- Exame de urina simples (EAS), para ver se há perda de proteína ou sangue.
Fontes – Sociedade Brasileira de Nefrologia; Biblioteca Virtual em Saúde; Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial; Tua Saúde; Veja Saúde; Portal Drauzio Varella; e Hospital Sírio-Libanês.
