Um afogamento acontece quando a pessoa não consegue manter as vias aéreas (boca e nariz) fora da água, o que impede a entrada de ar nos pulmões.
Isso pode ocorrer por vários motivos, como queda inesperada na água, cansaço, pânico, incapacidade de nadar ou problemas de saúde súbitos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2023, o Brasil registrou mais de 71 mil mortes por afogamento, com destaque para as faixas etárias de 01 a 04 anos e 10 a 19 anos.
Mais de 70% dos casos ocorrem em rios, lagos e represas, onde frequentemente não há presença de salva-vidas.
Já o ambiente residencial é responsável por 55% das mortes na faixa etária de 01 a 09 anos, seja em piscinas, banheiras e até baldes.
O afogamento pode levar à morte em poucos minutos devido à rápida privação de oxigênio. Socorro imediato com técnicas de salvamento e reanimação (como a RCP) pode salvar vidas.
Durante um episódio de afogamento, o corpo passa por diferentes situações:
- Inalação de água – quando a pessoa entra em pânico ou não consegue respirar, pode engolir ou aspirar água para dentro das vias respiratórias.
- Bloqueio da troca gasosa – a água nos pulmões impede a troca normal de oxigênio e dióxido de carbono. Isso reduz o oxigênio disponível no sangue.
- Falta de oxigênio (hipóxia) – sem oxigênio suficiente, os órgãos vitais, especialmente o cérebro e o coração, começam a sofrer danos.
- Parada respiratória – a pessoa para de respirar devido à falta de oxigênio.
- Parada cardíaca – sem oxigênio, o coração pode parar de bater adequadamente, levando à morte se não houver socorro imediato.
- Perda de consciência – antes da parada cardíaca, a pessoa pode perder a consciência devido à hipóxia cerebral.
Principais causas de afogamentos
Fique atento as principais causas de afogamentos, para assim poder evitá-las.
Falta de supervisão adequada – crianças, especialmente as pequenas, que ficam sem acompanhamento próximo de um adulto em ambientes com água, como piscinas, banheiras, tanques ou rios.
- Incapacidade de nadar – muitos casos envolvem pessoas que não sabem nadar ou têm pouca habilidade na água, o que aumenta o risco de acidentes.
- Consumo de álcool – a bebida prejudica a coordenação motora, o julgamento e o tempo de reação, sendo uma causa frequente em afogamentos de adolescentes e adultos.
- Exposição a condições adversas – águas turbulentas, correntezas fortes, águas frias ou profundas, que dificultam a manutenção da flutuabilidade e aumentam o risco.
- Uso inadequado de equipamentos de segurança – confiança excessiva em boias, colchões infláveis ou outros dispositivos que não substituem coletes salva-vidas certificados.
- Acidentes em locais sem segurança – falta de guarda-vidas, sinalização inadequada ou locais não apropriados para banho, como represas, rios com correntezas e áreas proibidas.
- Emergências médicas – ataques cardíacos, convulsões ou outros problemas de saúde que podem provocar perda de consciência na água.
- Falta de conhecimento e educação – desconhecimento sobre os perigos da água e falta de treinamento em primeiros socorros e técnicas de salvamento.
Previna afogamentos
A prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar afogamentos. É fundamental adotar medidas de segurança e conscientizar a população sobre os riscos e cuidados necessários.
Existem várias ações com grande eficácia, fique atento e evite colocar vidas em risco.
Prevenção de afogamentos em adultos:
- Aprenda a nadar e a flutuar, além de técnicas básicas de sobrevivência na água.
- Nunca entre na água após consumir álcool ou drogas, pois isso prejudica o equilíbrio e os reflexos, aumentando o risco de afogamento.
- Use coletes salva-vidas em barcos, atividades aquáticas e em locais de maior risco.
- Não confie em boias ou brinquedos infláveis para segurança.
- Respeite sinalizações e evite nadar em locais com correntezas, águas profundas ou sem supervisão. Prefira áreas com salva-vidas ou que tenham segurança garantida.
- Evite entrar na água durante tempestades, marés altas ou quando a água estiver muito fria.
- Sempre tenha companhia para poder ajudar ou pedir socorro em caso de emergência.
- Evite nadar se estiver cansado, com sono ou com problemas de saúde que possam causar perda de consciência.
- Conheça técnicas básicas de salvamento e primeiros socorros, para saber como agir em uma emergência. Isso pode salvar vidas, inclusive a sua.
Prevenção de afogamentos em crianças:
- Nunca deixe a criança sozinha perto da água, nem por poucos segundos. Esteja sempre atento, especialmente em piscinas, banheiras, baldes e rios.
- Incentive aulas de natação desde cedo, mas saiba que isso não substitui a supervisão.
- Utilize coletes salva-vidas apropriados para a idade da criança em ambientes aquáticos. Evite boias e brinquedos infláveis como única medida de segurança.
- Instale cercas com portões trancados ao redor de piscinas para impedir acesso sem supervisão. Proteja tanques, cisternas e outras fontes de água.
- Converse com a criança sobre os riscos e a importância de não se aproximar da água sem um adulto.
- Não permita que crianças brinquem em rios, lagos e represas sem supervisão e equipamentos adequados.
- Aprenda técnicas de primeiros socorros e RCP para agir rapidamente em caso de afogamento.
Sinais de afogamento
Fique atento aos sinais que podem indicar que a pessoa está se afogando, pois nem sempre ela irá gritar por socorro. É necessário atenção a movimentos desesperados e sinais incomuns de quem está na água.
Lembre-se que agir rapidamente e salva vidas.
Alguns sintomas imediatos são:
- Dificuldade para respirar, pois a água impede a entrada adequada de ar.
- Engasgo ou tosse persistente, durante as tentativas de expelir a água que entrou nos pulmões.
- Respiração acelerada ou ofegante, onde o corpo tenta compensar a falta de oxigênio.
- Face pálida ou azulada (cianose), devido à falta de oxigênio no sangue.
- Agitação e desespero, que gera movimentos frenéticos para tentar sair da água.
- Incapacidade de falar ou gritar, por falta de ar.
- Afundar ou ficar com a cabeça submersa, que é um sinal de perigo extremo.
Sintomas posteriores (se socorro demorar):
- Perda de consciência devido à falta prolongada de oxigênio no cérebro.
- Confusão mental ou desorientação, caso a pessoa ainda esteja consciente.
- Parada respiratória e cardíaca, que pode levar à morte.
Como socorrer num afogamento
Ao ver uma pessoa se afogando é comum querer ajudar, mas o socorro só será efetivo se quem for fazê-lo tiver domínio.
Por isso, mesmo que de forma breve, é necessário avaliar a situação antes de agir. Você está em segurança para ajudar? Nunca entre na água se não souber nadar ou se a situação for muito perigosa para você, ou poderá ser a próxima vítima.
Se tiver mais alguém por perto peça que ligue para o resgate capacitado (193 – Corpo de Bombeiros) ou para o serviço de emergência local. Se estiver sozinho, ligue você mesmo.
Tente alcançar a pessoa sem entrar na água, usando um objeto que a pessoa possa segurar: corda, galho, boia, vara, entre outros, e quando a vítima se agarrar, puxe-a para um lugar seguro.
Se precisar entrar na água, e mesmo estando apto para isso, tenha muito cuidado. Vá com calma e evite que a pessoa te puxe para baixo, o que é comum diante do desespero. Uma dica é abordar a vítima por trás, e segurá-la firme em áreas como axilas ou tórax para controlar a vítima.
Retire a pessoa da água com cuidado e coloque-a em uma superfície plana, de preferência com ajuda de outras pessoas.
Verifique sinais vitais, chegue se a pessoa está consciente e respirando. Caso esteja inconsciente e sem respiração, inicie a RCP (reanimação cardiopulmonar) imediatamente. Se não souber o procedimento, peça ajuda a alguém treinado.
A reanimação cardiopulmonar consiste em:
- fazer compressões torácicas – 30 vezes, de forma rápida e firme;
- após as compressões, inicie as respirações de resgate, duas insuflações (boca a boca); e
- repita até a chegada do socorro especializado ou até a pessoa voltar a respirar.
Mantenha a vítima aquecida, com a ajuda de roupas, toalhas ou cobertores para evitar hipotermia.
Não ofereça nada para a vítima, pois ela poderá engasgar, ou estar com o estômago cheio de água. Espere a avaliação de um profissional.
Nunca subestime um afogamento, mesmo que a vítima pareça melhor, é essencial a avaliação médica para evitar complicações.
Fontes – Criança Segura; Biblioteca Virtual em Saúde; Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático; Organização Pan-Americana da Saúde; Agência Brasil; Hospital São Camilo; CNN Brasil; e Tua Saúde.
