Seja um doador de amor: Fale com a sua família sobre a sua decisão de doar seus órgãos

Seja um doador de amor: Fale com a sua família sobre a sua decisão de doar seus órgãos

Doar órgãos é um ato de amor ao próximo. Na maioria das vezes, o doador e sua família não sabem quem ganhará uma nova chance de viver.

É mais comum ouvirmos falar da doação de órgãos vitais, mas tecidos também podem ser doados. Assim, é possível fazer a doação de rim, fígado, coração, pâncreas, pulmão (órgãos), córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e até o sangue do cordão umbilical (tecidos).

Um doador vivo, após minuciosos exames de compatibilidade, estando ciente de todo o processo e autorizando o procedimento, poderá doar um rim, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea. De acordo com a lei vigente, familiares de até quarto grau e cônjuges podem ser doadores em vida. Se não houver esse grau de parentesco é necessária autorização judicial.

Outra possibilidade é a doação de órgãos feita por pessoas em morte encefálica. Isso significa que já não existe mais função do cérebro, ou seja, não tem como reverter, a pessoa irá morrer, e os órgãos podem parar de funcionar a qualquer momento.

Nestes casos é possível doar: coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. A retirada dos órgãos é feita em centro cirúrgico, por equipe altamente capacitada, como acontece em outras cirurgias.

A legislação atual diz que, a retirada dos órgãos, no caso do doador não poder mais decidir, deverá ser autorizada por um familiar. Ou seja, se você gostaria de doar seus órgãos, avise sua família. Mesmo que deixe um documento assinado, ele não terá o poder e autorizar a retirada, sendo que dependerá ainda de uma decisão judicial. Fale sobre isso com seus familiares.

E importante destacar que, o diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Sendo que a condição deverá ser constatada por mais de um profissional com capacitação específica, observando o protocolo estabelecido. Quando a família tem um médico de confiança, também pode solicitar que esse profissional tenha acesso a todo o processo de constatação da morte.

Os órgãos doados são encaminhados para pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista de espera única. A posição nessa lista é determinada de acordo com o tempo de espera e urgência do procedimento. Também é necessária a compatibilidade entre doador e receptor, que será determinada por exames laboratoriais.

 

Transplantes

Em números absolutos, o Brasil aparece em segundo lugar como realizador de transplantes, o que o coloca como referência.

Em 2019 foram realizados 9.256 transplantes de órgãos (coração – 383; fígado – 2.267; rim – 6.323; pulmão – 106; pâncreas – 47; e pâncreas/rim – 130), além de 14.939 transplantes de córneas.

De acordo com o Ministério da Saúde é o maior sistema público de transplantes do mundo. Cerca de 95% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde, que inclui desde exames preparatórios, até os medicamentos e acompanhamento pós-transplante.

Ainda assim, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o Brasil tem 45 mil pessoas esperando por um órgão.

Para que os números de transplantes aumentem, é preciso que as pessoas avisem suas famílias sobre sua vontade de doar, porque quando acontece a morte encefálica é a família que autoriza, ou não, a doação.

 

Fontes – Ministério da Saúde e Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos.