O câncer de colo de útero, também conhecido como câncer cervical, se desenvolve nas células do colo uterino, que é a parte inferior do útero, conectando-o à vagina.
Essa condição é frequentemente causada pela infecção persistente por tipos de papovavírus humano (HPV), um vírus que é transmitido sexualmente.
No Brasil, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo mais comum entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do câncer de cólon e reto.
A doença é mais prevalente em países em desenvolvimento, onde o acesso à vacinação contra o HPV e a triagem de câncer cervical é limitado. Regiões da África subsaariana e partes da América Latina têm as maiores taxas de incidência e mortalidade.
Os fatores de risco para o câncer de colo de útero incluem:
- Infecção persistente por tipos de HPV de alto risco, especialmente os tipos 16 e 18, está diretamente ligada ao desenvolvimento do câncer cervical.
- É mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos.
- Mulheres com HIV têm maior risco devido à imunossupressão.
- Pacientes que fazem uso de imunossupressores após transplantes também estão em risco.
- Ter parentes próximos que já tiveram câncer no colo do útero pode aumentar o risco.
- O uso contínuo de anticoncepcionais, por cinco ou mais anos, tem sido associado a um risco ligeiramente maior. Fale com o seu médico.
- Ter múltiplos parceiros sexuais ou parceiros que tiveram muitos parceiros pode aumentar o risco de infecção por HPV.
- Iniciar a vida sexual em uma idade muito jovem aumenta a exposição ao HPV.
- Não realizar regularmente o exame de Papanicolau pode permitir que alterações celulares evoluam para um câncer de colo de útero silencioso.
- Mulheres que fumam têm uma chance maior de desenvolver a doença, possivelmente devido a substâncias químicas no tabaco que podem afetar o colo do útero.
Conheça os sintomas do câncer de colo do útero
Os sintomas do câncer de colo do útero podem ser sutis ou mesmo inexistentes nos estágios iniciais, por isso é tão importante manter uma rotina de exames preventivos.
À medida que a doença avança, alguns sinais e sintomas podem aparecer, entre os mais comuns estão:
- Sangramento vaginal anormal entre os períodos menstruais, após relações sexuais (sangramentos de contato), e no período que a mulher já está na menopausa.
- Secreção vaginal com mau odor, ou uma secreção aquosa, sanguinolenta ou mais espessa.
- Dor persistente na região pélvica.
- Desconforto ou dor durante o ato sexual.
- Ciclos menstruais irregulares ou mais intensos.
Existem outros sintomas que podem aparecer quando a doença está mais avançada, e que merecem atenção especial e busca rápida de auxílio profissional, como:
- Dificuldade para urinar, com sensação de pressão ou bloqueio.
- Dor nas costas ou nas pernas, que pode ser resultado de metástases ou compressão de nervos.
- Perda de peso sem explicação aparente.
- Cansaço extremo e persistente.
É crucial ressaltar que muitos desses sintomas podem ser causados por outras condições e não são exclusivos do câncer de colo do útero. No entanto, é fundamental consultar um médico se houver qualquer um desses sintomas, especialmente se eles persistirem.
A detecção e tratamento precoces aumentam significativamente as chances de sucesso no tratamento do câncer de colo do útero.
Diagnóstico do câncer de colo do útero
O diagnóstico do câncer de colo do útero geralmente envolve uma combinação de exames e avaliações onde o Papanicolau tem papel fundamental. Trata-se de um exame de rastreio que coleta células do colo do útero para detectar alterações celulares que podem indicar câncer ou pré-câncer.
Pode ser realizado, em conjunto com o exame de Papanicolau, o exame de HPV, para detectar a presença de tipos de HPV de alto risco.
Em alguns casos pode ser indicada a colposcopia, um exame onde um instrumento com lente de aumento (colposcópio) é usado para visualizar o colo do útero e identificar áreas anormais. Se necessário, uma biópsia pode ser feita durante este exame.
A biópsia é a coleta de uma amostra de tecido do colo do útero para análise laboratorial, confirmando a presença de células cancerosas.
Também podem ser indicados exames de imagem como radiografias, tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas, que servem para determinar a extensão do câncer e verificar se houve metástase.
Câncer de colo do útero tem cura
Quanto antes um câncer de colo do útero é diagnosticado, maiores as chances de cura. O tratamento será definido pela equipe médica, com base na avaliação do quadro clínico da paciente, bem como da fase que a doença está.
As opções de tratamento incluem:
- Cirurgia conização – remoção de uma parte do colo do útero onde as células anormais estão presentes.
- Cirurgia histerectomia – remoção total ou parcial do útero. Em estágios mais avançados, pode ser necessária a remoção dos gânglios linfáticos.
- Radioterapia – pode ser utilizada como tratamento principal ou adjuvante (de apoio) após a cirurgia. Envolve o uso de radiação para destruir células cancerosas.
- Quimioterapia – usa medicamentos para eliminar as células cancerosas. Pode ser indicada sozinha ou em combinação com radioterapia, especialmente em estágios mais avançados.
- Terapia alvo – tratamentos que visam características específicas das células cancerosas. Podem ser utilizados em alguns casos, especialmente em cânceres mais avançados.
- Imunoterapia – uma abordagem mais recente que visa potencializar a resposta do sistema imunológico contra as células cancerosas.
Após o tratamento, é essencial realizar um acompanhamento regular para monitorar a recuperação e possíveis recidivas. Isso geralmente envolve consultas médicas regulares, exames físicos, exames de Papanicolau e testes de HPV, conforme as recomendações do médico.
Câncer de colo do útero, como prevenir?
A prevenção do câncer de colo do útero envolve uma combinação de medidas que visam reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
As principais estratégias incluem:
- A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) é uma ferramenta eficaz na prevenção do câncer de colo de útero.
Ela ajuda a proteger contra os tipos de HPV que mais frequentemente causam câncer cervical. Recomenda-se que meninas e meninos recebam a vacina entre 9 e 14 anos.
- O exame de Papanicolau deve ser realizado regularmente (geralmente anualmente ou a cada três anos, dependendo da idade e do histórico de saúde).
Ele ajuda a detectar alterações nas células de colo do útero antes que se tornem cancerosas.
- Teste de HPV, que pode ser realizado em conjunto com o Papanicolau, especialmente em mulheres a partir dos 30 anos, para avaliar a presença de HPV de alto risco.
- Mudanças no estilo de vida, com o uso de preservativos, para reduzir o risco de infecção por HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis.
Parar de fumar, pois o tabagismo está associado a um maior risco de câncer cervical.
E manter uma dieta balanceada e praticar exercícios regulares, o que contribui para a saúde geral e ajuda a fortalecer o sistema imunológico.
Essas medidas combinadas podem reduzir significativamente o risco de desenvolver câncer de colo de útero e melhorar a detecção precoce, aumentando as chances de tratamento eficaz.
Fontes – Biblioteca Virtual em Saúde; Instituto Vencer o Câncer; Portal Gineco; Tua Saúde; Hospital Albert Einstein; Instituto Oncoguia.
